São Paulo - As centrais sindicais CUT, Força Sindical e CBTE consideram que a redução de apenas 0,25 ponto porcentual na taxa de juros trava qualquer possibilidade de crescimento econômico e de geração de empregos. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, ao persistir com a redução em pequenas doses homeopáticas, como nos dois últimos meses, será difícil ocorrer uma recuperação vigorosa da economia no primeiro semestre.
''Quanto mais este conservadorismo do Copom (Comitê de Política Monetária) imperar, maior dificuldade o País terá de crescer em 2004, mesmo com a inflação sob controle e com os sinais de reaquecimento de alguns setores produtivos'', disse Marinho. ''Assim, a corda vai continuar arrebentando para o lado daqueles milhões de brasileiros que aguardam ansiosamente o desenvolvimento econômico e a oportunidade de conseguir voltar ou entrar no mercado de trabalho.''
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, elogiou o movimento de queda, mas ressaltou que o excesso de gradualismo, justificado por cortes simbólicos da Selic, frustra qualquer projeto de crescimento econômico. ''O Copom acertou no remédio, mas errou na dose.'' Segundo ele, o governo mantém uma imensa trava para o setor produtivo e a criação de empregos e privilegia apenas os especuladores. ''O País precisa urgentemente de uma queda drástica na taxa de juros e implantação de uma política direcionada para o crescimento econômico'', afirmou. Ele lembrou ainda que a ''política voltada para os especuladores'' faz o desemprego bater recordes e provoca queda brusca nos rendimentos dos trabalhadores.
Na mesma linha crítica está o presidente da Central Brasileira dos Trabalhadores e Empreendedores (CBTE), José Avelino Pereira. Para ele, essa redução não será suficiente para melhorar a situação do trabalhador. ''Estamos beirando o caos e se o governo Lula não diminuir para valer os juros, criando uma política de desenvolvimento que gere empregos, a situação vai piorar.'' Ele defendeu que o ano deve terminar com taxa de um dígito, pois a inflação nunca esteve tão baixa e o desemprego nunca foi tão alto.

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