São Paulo - Foi com um misto de decepção e irritação que dirigentes das duas principais centrais sindicais do País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, receberam ontem as informações de que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,2% em 2003. ''Decréscimo da economia, aumento do desemprego e diminuição da massa de salários são questões inaceitáveis que nenhuma central sindical poderá assinar embaixo'', disse o secretário-geral da CUT, João Felício. ''A situação econômica do País é desastrosa'', afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
A preocupação maior das centrais é com o aumento do desemprego, que atingiu 11,7% da População Economicamente Ativa (PEA), em janeiro, ante 10,9% em dezembro.
Os sindicalistas da CUT e da Força não titubeiam em culpar a condução da política econômica adotada pelo governo Lula, em especial a adoção do superávit primário de 4,25% do PIB e a manutenção da Selic, como as causas pelo fraco desempenho da economia no ano passado. ''Quando assumiu o governo, com expressiva maioria dos votos, o presidente Lula tinha moral para negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e acertar um superávit maior. Mas, para a nossa decepção, ele se tornou o presidente esquerdista favorito do FMI, ao adotar política econômica mais conservadora do que o pessoal da direita'', avaliou Paulinho.
Felício ressaltou que as centrais sindicais, lideradas pela CUT, apresentaram um conjunto de medidas para reativação da economia ao longo do ano passado. Ele lembrou que, além de pedirem uma queda mais drástica da Selic, as centrais recomendaram ao governo uma renegociação com o FMI para diminuição do superávit primário e aceleração de políticas setoriais específicas para incentivar investimentos no setor produtivo.

mockup