As centrais sindicais decidiram ontem suspender a greve geral que estava prevista para hoje. A decisão foi tomada porque os metalúrgicos das montadoras do Estado de São Paulo marcaram uma greve de advertência de um dia para hoje. A informação é dos presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
‘‘Decidimos dar mais um prazo até final desta semana para os setores nos quais as negociações estão evoluindo’’, afirmou Paulinho. ‘‘Caso isso não aconteça, entraremos em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira’’, acrescentou Felício. A CUT marcou uma reunião para o sábado com o objetivo de avaliar a evolução das negociações durante esta semana. Já a avaliação da Força Sindical será feita na sexta-feira.
O presidente da Força Sindical informou que a indústria automobilística é o único setor em que não houve avanço em relação à última contraproposta de 6,5% oferecida aos trabalhadores. ‘‘Por incrível que pareça, quem mais ganhou é quem menos quer dar’’, ressaltou. Segundo ele, os trabalhadores da General Motors, em São Caetano do Sul, filiados a Força Sindical, devem cruzar os braços somente amanhã, quarta-feira.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, disse que a greve de advertência, marcada para amanhã, deve forçar também as negociações com os outros setores da categoria de metalúrgicos. Ele não quis fazer previsões sobre a expectativa de adesão. Marinho participou esta tarde da reunião entre representantes das duas centrais no prédio da Força Sindical, em São Paulo, de onde seguiu para o ABC paulista com o objetivo de mobilizar os trabalhadores das montadoras.
A categoria dos metalúrgicos reivindicava reajuste de 20% no início da campanha salarial. Os presidentes da CUT e da Força Sindical, entretanto, condicionam agora o acordo com os empresários à oferta de aumento real. ‘‘Não vamos conseguir todas as perdas dos últimos anos, mas temos de ter um pouco de aumento real agora’’, afirmou Paulinho.

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