São Paulo - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, classificou como ''histórica'' a Campanha Salarial Unificada, lançada ontem por sua central, em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). ''Pela primeira vez, estamos juntos para negociar com os empresários. Isso é histórico e só foi possível porque as duas centrais evoluíram e também porque deixamos de lado nossas divergências políticas para fortalecer as convergências'', disse.
Para o presidente da CUT, Luiz Marinho, a campanha avançará com o esforço das duas centrais em constituir acordos coletivos nacionais para os trabalhadores. ''Estamos criando ambiente para evoluirmos em conquistas, fortalecermos sindicatos e centrais, fortalecermos a democracia e, assim, caminharmos para o contrato coletivo nacional'', disse Marinho. Ele avaliou que o maior avanço da campanha está na constituição de bancadas unificadas de negociação, com a participação de sindicalistas ligados às duas centrais e que firmarão acordos de caráter nacional para as mesmas categorias. ''Se os empresários também quiserem unificar suas bancadas de negociação, nós aceitamos e partimos para o debate'', sugeriu o presidente da CUT.
O calendário da campanha unificada prevê para o dia 27 a realização de uma assembléia na Força Sindical, com a participação de dirigentes da CUT, para concretização da pauta de reivindicações a ser encaminhada à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Essa pauta será entregue no dia 29 em uma manifestação que as centrais promoverão em frente à Fiesp, na Av. Paulista, em São Paulo.
CUT e Força Sindical também prometem independência em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paulinho e Marinho admitiram que a união de forças resultará em maior pressão política sobre o governo. ''Não estamos preocupados com a pressão sobre o governo e é até bom que essa pressão exista. Nossa preocupação número um é com a defesa dos interesses dos trabalhadores e das centrais sindicais'', disse Marinho.
Para Paulinho, a posição da CUT ''facilitará o debate''. ''Temos de entender que Lula não é mais um sindicalista, mas o presidente da República, e se não nos posicionarmos o presidente só vai atender o lado dos empresários e do próprio governo'', sustentou o presidente da Força.
A campanha unificada deverá envolver, segundo os sindicalistas, 6,5 milhões de trabalhadores em todo o País, pertencentes às categorias com data-base no segundo semestre, casos de petroleiros, comerciários, químicos, bancários, metalúrgicos e servidores públicos da área de saúde e dos correios, entre outros trabalhadores.
Além de pleitear reajuste salarial de 20%, redução de jornada de trabalho de 10% sem redução de salários e participação nos lucros, as duas centrais defenderão uma pauta exclusiva de negociação com o governo para ajustes macroeconômicos, com queda de juros, flexibilização do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e adoção de medidas para criação de empregos, especialmente quanto à redução de jornada de trabalho.
''É verdade que hoje existe ociosidade no parque industrial. É possível que a redução da jornada não gere os 2 milhões de empregos que nós acreditamos que possa gerar, mas, como estamos num momento de retomada do crescimento, a redução de jornada eliminaria a atual ociosidade'', argumentou Marinho.

mockup