SÃO PAULO - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical tomarão caminhos mais do que nunca divergentes, este ano. As duas têm congressos marcados para escolher nova direção e para definir rumos políticos para os próximos três anos. Como chegar mais fortes ao ano 2000 é o desafio que ambas se impõem.
A CUT deve se afastar do governo e construir uma resistência menos frágil do que a exercida até então. A Força Sindical, ao contrário, tem uma estratégia de aproximação do governo. E até de colocar-se não mais como aliada, mas no centro do poder: está em andamento uma articulação para criar na Câmara uma bancada da Força Sindical, suprapartidária. ‘‘A legenda não importa’’, afirmou o diretor da central e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Pereira da Silva.
Segundo o secretário geral da CUT, João Vaccari Neto, embora essa Central vá continuar defendendo em suas teses a necessidade de negociar e apresentar propostas, a tônica do congresso de agosto será a de intensificar mobilizações, torná-las mais organizadas, mais sistemáticas e ampliadas. Ou seja, a CUT procurará capitalizar melhor todo tipo de oposição ao governo FHC que exista na sociedade. O caminho será aproximação com movimentos como o dos sem-terra, sem-teto, e entidades civis.
O primeiro sinal de que a CUT será mais ofensiva no próximo período foi a recepção preparada pelos metalúrgicos do ABC ao presidente Fernando Henrique, que visitou a Ford. Houve greve, declaradamente política e de protesto contra o governo, nas montadoras de veículos da região. ‘‘O segundo passo será a comemoração do dia 1º de Maio’’, afirmou Vaccari. Depois de dois anos de manifestações tímidas no dia do trabalhador, a central quer fazer grandes atos políticos na data, de novo contra os projetos do presidente da República em assuntos que afetam o trabalhador.
Já os projetos da Força Sindical estão muito bem encaminhados, no congresso ou em ministérios, com apoio explícito do presidente da República - o próprio Fernando Henrique afirmou em visita à sede da entidade que subscrevia todas as propostas dos dois sindicalistas.
A Força Sindical tem pelo menos dois fortes aliados no governo: o ministro do Trabalho Paulo Paiva, do mesmo partido de Medeiros e Paulinho, o PTB, e o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, que durante algum tempo produziu, como contratado da central, a bíblia do chamado sindicalismo de resultados inventado por Medeiros: o livro ‘‘Um projeto para o Brasil’’.

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