Centrais querem redução de jornada de trabalho
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaAção limitadaPaulinho, da Força Sindical: programas do governo têm pouca eficáciaA Central Única dos Trabalhadores e a Força Sindical consideram perdida a batalha contra o desemprego, caso o governo insista em continuar apostando apenas nos seus atuais programas, como o Brasil em Ação e o Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER). As Centrais apontam como a única medida de frear as demissões a redução de jornada de trabalho. No caso da CUT, de 44 para 40 horas por semana, com meta de novos ajustes até o ano 2008. A Força Sindical quer uma queda imediata para 36 horas, compensada com redução de impostos para as empresas.
Fernando Henrique Cardoso reúne dia 13 seu ministério para tratar do assunto. Até lá estaremos apresentando novamente nossa proposta de diminuir a carga de trabalho, afirmou o diretor da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Não tem outra saída porque mesmo que a economia cresça, as novas tecnologias estão entrando com tudo nas empresas e substituindo os empregados. Para ele, o Brasil em Ação e o Proger, embora importantes, têm eficácia muito limitada.
O projeto da Força Sindical prevê 36 horas de trabalho por semana. Mas para não tirar a competitividade das empresas ante os produtos importados, elas teriam redução de 13% nos impostos e de 7% nos encargos sobre os salários. A adesão por parte das empresas seria voluntária. Se todo o setor industrial brasileiro aderisse, o governo perderia R$ 3,5 bilhões por ano em arrecadação, segundo cálculos da Central.
Já a CUT não trabalha com a idéia de isenção fiscal. A redução para 40 horas e uma forte limitação das horas extras poderiam criar, segundo a Central, 3,6 milhões de empregos no curto prazo. A CUT pensa ainda em estabelecer metas para novas reduções da carga de trabalho: 36 horas por semana no ano de 2003 e 32 horas em 2008.
Paralelamente, as duas centrais propõem políticas de incentivos para setores exportadores e controle da entrada de produtos estrangeiros em segmentos importantes para o nível de emprego no País.
No caso da cadeia automotiva, que tem bastante peso no nível de emprego da Grande São Paulo, onde os índices de desocupação são maiores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiados à CUT, pensa em saídas de emergência. Por exemplo, incentivo à renovação da frota nacional. Pessoas com carros antigos ganhariam condições especiais de financiamento e bônus das montadoras para trocar o veículo. Já o governo, reduziria impostos para esses casos, como faz com taxistas.


