A Central Única dos Trabalhadores e entidades congêneres na Argentina, Uruguai e Paraguai estão unindo forças para pressionar os governos dos quatro países a adotarem uma política unificada de acordo trabalhista para as empresas que atuarem no Mercosul. ‘‘Se os preços passarão a ser ditados por um mercado mais amplo, porque não fazer o mesmo com os salários e os direitos sociais ?’’, indagou ontem o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Vaccari Neto, que participou de uma reunião com sindicalistas no Rio, para discutir o assunto.
As confederações de sindicatos, que há seis anos defendem a proposta, estão preparando manifestações públicas para dezembro, no Rio, quando estará sendo realizada a reunião de cúpula do Mercosul. Segundo Vaccari, a manifestação acontecerá, com sindicalistas dos quatro países, independentemente do resultado das eleições presidenciais de outubro. ‘‘Queremos aprovar o Protocolo Sócio Laboral em dezembro’’, afirma Vaccari.
A minuta do protocolo, editada em outubro do ano passado pelas centrais sindicais, lista cinco direitos essenciais, a maioria já constante do tratado da Organização Internacional do Trabalho: proibição à discriminação; proibição de trabalho infantil; proibição do trabalho escravo; garantia ao direito de contrato de trabalho, e liberdade de organização sindical. O último item inclui a vinculação da negociação coletiva comum aos quatro países. Funcionaria, segundo Vaccari, por empresa ou por ramo de atuação.
Segundo Vaccari, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que representa o empresariado nacional no Grupo de Assuntos Trabalhistas, Emprego e Seguridade Social do Mercosul (GT- 10), ‘‘é radicalmente contra’’ a sugestão. A direção da CNI, procurada ontem pela Agência Estado, não se manifestou a respeito.

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