As duas centrais sindicais do País – Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT) – prevêem um segundo semestre complicado para as campanhas salariais. Além do problema do racionamento de energia elétrica – que já começa a diminuir a produção e o nível de emprego na indústria em diferentes setores –, a conjuntura político-econômica se agravou com a alta de juros e do dólar, somada à crise argentina.
Os líderes sindicais já sabem que, na hora da negociação, estes temas serão mencionados pelos empresários como um argumento – considerado até mesmo pelos sindicalistas como forte – para não reajustar salários. Nem por isso, no entanto, a expectativa é de desânimo. ‘‘Precisamos só aguardar mais um pouco para sabermos exatamente onde estes pontos interferem’’, avalia Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.
Antonio Carlos Spiz, presidente da CUT em São Paulo, lembra que os empresários estão endividados, pois, com as expectativas positivas para o País este ano, investiram em suas fábricas em 2000 e agora têm de pagar os empréstimos. ‘‘Sabemos que a consequência disso tudo podem ser demissões. O quadro é preocupante, mas não acredito em empresário que diz que não poderá reajustar salários’’, diz Spiz.
De acordo com Paulinho, a central deverá iniciar as discussões sobre as campanhas salariais no próximo mês. ‘‘Até lá, vamos poder comprovar como está a situação do País. Ao que parece, a crise energética não será tão ruim quanto parece’’, diz. Segundo ele, ainda não dá para avaliar a questão, mas os trabalhadores de alguns setores produtivos já sentiram diretamente alguns de seus efeitos negativos. ‘‘As férias coletivas na Continental e Arno e a demissão de 70 trabalhadores da Metalfrio no final da semana passada já são um indício disso. Teremos de fazer um balanço do desemprego total até o final do mês, se é que ele vai ocorrer conforme estão pregando’’, afirma.
De acordo com Paulinho, tanto os trabalhadores quanto os empresários devem estudar uma forma para que as empresas não quebrem e os trabalhadores não percam seus empregos. Historicamente, o segundo semestre apresenta condições melhores para a economia. No ano passado, muitos trabalhadores obtiveram, além do reajuste pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), aumento real dos salários e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
É na segunda metade do ano que ocorrem os dissídios dos principais setores: alimentos, correios, petroquímico, bancário, comércio e gráfico. Os três últimos meses do ano serão decisivos para estes trabalhadores. É nesta época que ocorrem os principais dissídios.
‘‘Apesar de tudo, devemos pensar positivo, pois temos a ferramenta da greve que, no caso dos metroviários, por exemplo, foi definitiva para que obtivéssemos os reajustes mínimos para a categoria no final do mês passado’’, resume Spiz.

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