Centrais prevêem campanhas complicadas
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terça-feira, 10 de julho de 2001
Agência Estado 
As duas centrais sindicais do País Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT) prevêem um segundo semestre complicado para as campanhas salariais. Além do problema do racionamento de energia elétrica que já começa a diminuir a produção e o nível de emprego na indústria em diferentes setores , a conjuntura político-econômica se agravou com a alta de juros e do dólar, somada à crise argentina.
Os líderes sindicais já sabem que, na hora da negociação, estes temas serão mencionados pelos empresários como um argumento considerado até mesmo pelos sindicalistas como forte para não reajustar salários. Nem por isso, no entanto, a expectativa é de desânimo. Precisamos só aguardar mais um pouco para sabermos exatamente onde estes pontos interferem, avalia Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.
Antonio Carlos Spiz, presidente da CUT em São Paulo, lembra que os empresários estão endividados, pois, com as expectativas positivas para o País este ano, investiram em suas fábricas em 2000 e agora têm de pagar os empréstimos. Sabemos que a consequência disso tudo podem ser demissões. O quadro é preocupante, mas não acredito em empresário que diz que não poderá reajustar salários, diz Spiz.
De acordo com Paulinho, a central deverá iniciar as discussões sobre as campanhas salariais no próximo mês. Até lá, vamos poder comprovar como está a situação do País. Ao que parece, a crise energética não será tão ruim quanto parece, diz. Segundo ele, ainda não dá para avaliar a questão, mas os trabalhadores de alguns setores produtivos já sentiram diretamente alguns de seus efeitos negativos. As férias coletivas na Continental e Arno e a demissão de 70 trabalhadores da Metalfrio no final da semana passada já são um indício disso. Teremos de fazer um balanço do desemprego total até o final do mês, se é que ele vai ocorrer conforme estão pregando, afirma.
De acordo com Paulinho, tanto os trabalhadores quanto os empresários devem estudar uma forma para que as empresas não quebrem e os trabalhadores não percam seus empregos. Historicamente, o segundo semestre apresenta condições melhores para a economia. No ano passado, muitos trabalhadores obtiveram, além do reajuste pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), aumento real dos salários e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
É na segunda metade do ano que ocorrem os dissídios dos principais setores: alimentos, correios, petroquímico, bancário, comércio e gráfico. Os três últimos meses do ano serão decisivos para estes trabalhadores. É nesta época que ocorrem os principais dissídios.
Apesar de tudo, devemos pensar positivo, pois temos a ferramenta da greve que, no caso dos metroviários, por exemplo, foi definitiva para que obtivéssemos os reajustes mínimos para a categoria no final do mês passado, resume Spiz.


