Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá receber os presidentes das centrais sindicais para discutir o valor do novo salário mínimo. A reunião ainda não tem data marcada, mas deverá ocorrer entre dos dias 15 e 20 de dezembro. Esse foi o saldo da manifestação que seis centrais sindicais realizaram ontem para reivindicar um salário mínimo de R$ 400, correção de 13% nos valores da tabela de recolhimentos do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e redução da jornada de trabalho de 40 horas para 36 horas semanais.
Os sindicalistas foram recebidos pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, num encontro do qual participaram os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, além do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal. ''A reunião não foi conclusiva'', disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, após o encontro.
Em entrevista à rádio Eldorado, o ministro Luiz Marinho adiantou que não será possível atender à reivindicação de um mínimo de R$ 400. Já a correção da tabela do IRPF conta com a oposição da Receita Federal.
O mau tempo atrapalhou a manifestação, que começou segunda-feira, com uma ''carreata'' que saiu de São Paulo em direção a Brasília. Organizada por Força Sindical, CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos Trabalhadores), SDS (Social Democracia Sindical), CAT (Central Autônoma dos Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dosTrabalhadores do Brasil), a manifestação contou com cerca de 25 mil participantes, segundo seus organizadores.
Impacto - O reajuste do salário mínimo para R$ 400, como reivindicam as centrais sindicais, teria um custo adicional de R$ 12,4 bilhões para o governo federal em 2006, sendo R$ 7,9 bilhões apenas na Previdência. A projeção foi divulgada ontem pelo relator do Orçamento da União, deputado Carlito Merss (PT-SC), que defende um aumento mais moderado, para R$ 340. ''Se for R$ 340, que é o número que começa a se consolidar na minha cabeça, o impacto seria de R$ 3 bilhões'', disse o petista.
Todas as projeções partem do valor de salário mínimo que já está previsto no Orçamento, ou seja, R$ 321,21, e buscam estimar qual seria o gasto adicional no caso de um piso maior do que esse. De acordo com os cálculos oficiais, cada real de aumento do salário mínimo custa R$ 157,3 milhões para os cofres federais.
A maior parte desse custo se deve às aposentadorias e pensões da Previdência (R$ 110 milhões por real), mas também há impacto no pagamento do abono e seguro-desemprego (R$ 26 milhões) e nos benefícios de assistência social de idosos e deficientes (R$ 22 milhões), que são atrelados ao mínimo.
De acordo com Merss, o reajuste do mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda de Pessoas Físicas (IRPF) serão suas prioridades na repartição dos recursos que ele terá à disposição para distribuir, na condição de relator. A proposta orçamentária já chegou ao Congresso com uma reserva de R$ 4,4 bilhões para despesas extras, além de R$ 3,1 bilhões para as emendas parlamentares.

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