Centrais pedem jornada de trabalho de 40 horas semanais
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Das agências 
Brasília - As centrais sindicais de trabalhadores aumentaram ontem a pressão sobre o governo pela redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Representantes de seis centrais e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) entregaram ao ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, um abaixo-assinado com cerca de 100 mil assinaturas em apoio à proposta. Os sindicalistas defendem a redução da jornada, sem a diminuição dos salários, como forma de aumentar a oferta de empregos com carteira assinada no País.
Por meio da assessoria, Berzoini afirmou que encomendou à área técnica do ministério um estudo sobre os vários aspectos do assunto no Brasil e em outros países. O ministro ponderou que o debate sobre a jornada já está ocorrendo no Fórum Nacional do Trabalho, que reúne representantes dos empresários, dos trabalhadores e do governo. ''Estaremos empenhados, mas não desejamos neutralizar as forças na Câmara e no Senado'', afirmou.
Os sindicalistas da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), da Força Sindical, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Central Geral dos Trabalhadores (CGTB), da Social Democracia Sindical (SDS) e da Central Autônoma de Trabalhadores (CAT) argumentam que a redução da jornada poderia criar até 2,8 milhões de postos de trabalhos formais no País. A projeção foi feita pelo Dieese, tomando por base um levantamento pelo qual 45% da população empregada atualmente no País faz horas extras.
De acordo com o Dieese, se fossem proibidas as horas extras, poderiam ser criados no Brasil cerca de um milhão de empregos. Ainda de acordo com a entidade, se fosse reduzida a carga máxima de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, poderia surgir mais 1,8 milhão de vagas. ''Isso é um potencial de geração de empregos'', declarou o coordenador-técnico do Dieese, Ademir Figueiredo.
Segundo o presidente da CGT, Antonio Carlos dos Reis, Berzoini demonstrou apoiar a proposta, mas o sindicalista reconheceu que o governo não é apenas o Ministério do Trabalho. ''O Palocci (ministro da Fazenda, Antonio Palocci) também é governo e eu não sei se ele concorda, mas, como o governo é o maior patrão do País, também tem que ser convencido'', disse Reis. Para o sindicalista, o assunto deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional no ano que vem, junto com a proposta de reforma trabalhista.
As centrais sindicais lamentaram ontem a manutenção da taxa de juros em 16% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O presidente da CUT, Luiz Marinho, disse que a central reivindica a redução da taxa de juros e entende que essa manutenção ''continuará penalizando os setores produtivos e inibindo o crescimento do País.'' Já o presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, classificou a decisão de ''lamentável'', reforçando que, um corte de juros ''ajudaria a promover o crescimento necessário de nossa economia''.


