Centrais paralisam montadoras em SP
Agência Estado
De São Bernardo do Campo
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical conseguiram parar ontem as montadoras de São Paulo, numa greve que envolveu pelo menos 70 mil trabalhadores. Mas obtiveram pouca adesão ao protesto que fizeram em frente da sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Cerca de dois mil, na maioria militantes dos sindicatos, lotaram ônibus que foram do ABC, São Paulo e interior para a sede da Associação das Montadoras, no bairro Moema.
O ineditismo do movimento de ontem ficou por conta de ter conseguido, mais uma vez, reunir as duas centrais rivais. CUT e Força Sindical estão unidas numa estratégia que chamam de festival de greves, que está paralisando as montadoras uma vez por semana, em rodízio por Estados. Inédita também foi a ocupação da sede da Anfavea por um grupo de 100 trabalhadores durante a tentativa de negociação entre os sindicalistas e os representantes da entidade.
A mobilização começou de madrugada, nas portas das fábricas. O grupo liderado pela CUT juntou alguns ônibus nas fábricas de São Bernardo do Campo e do interior. A Força Sindical foi buscar militantes em São Caetano do Sul, também no ABC e em São Paulo. Os trabalhadores deixaram as fábricas seguiram para a sede da Anfavea, onde se juntaram por volta das 10h.
As primeiras palavras de ordem surgiram quando o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, subiu no carro de som: Nós vamos arrancar o contrato coletivo na marra. As lideranças das duas centrais estão unidas por um contrato coletivo de trabalho nas montadoras de todo o País.
A principal reivindicação é fixar um piso único em todas as montadoras do País. Hoje as diferenças de salários chegam a 150%. A direção da Anfavea se recusa a negociar. Dizem que não é possível pagar nas cidades onde estão instalando as novas fábricas os mesmos salários do ABC e do Vale do Paraíba, onde estão concentrados os maiores ordenados.
Uma comissão formada por Luiz Marinho, pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, presidente da Confederação dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, e representantes dos sindicatos de metalúrgicos de São Paulo decidiu entrar na Anfavea para negociar. Os representantes da Anfavea estavam preparados para receber a comissão, mas não impediram mais de 100 metalúrgicos entrasse junto com os líderes.
A reunião durou mais de uma hora. Dois policiais militares entraram na casa, dizendo que estavam ali apenas por medida de precaução. Os líderes sindicais foram recebidos por diretores da Anfavea e ficaram irritados com a ausência do presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto. Por telefone, o presidente da Anfavea se comprometeu a mais uma vez levar a reivindicação dos trabalhadores aos presidentes das montadoras e responder nos próximos dias.
O movimento fez com que mais de quatro mil veículos deixassem de ser produzidos ontem. Anfavea confirmou parada total das linhas de montagem em São Paulo.
Na próxima semana os sindicalistas pretendem paralisar as fábricas do Paraná, onde está a maior parte das novas montadoras, como Renault e Chrysler, além da Audi.





