Centrais negociam greve nacional
Agência Estado
De São Paulo
A Força Sindical decidiu aderir à greve nacional nas montadoras de veículos e empresas de autopeças, proposta pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), mas quer adiamento do movimento: do dia 24 deste mês para a segunda semana de setembro. A informação foi dada ontem pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Hoje Pereira recebe lideranças da CUT no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, às 10 horas, para tratar do assunto.
A CUT já definiu pauta de reivindicações, endossada pela central de Pereira. Entre os principais itens estão a negociação de um contrato coletivo nacional de trabalho para os metalúrgicos do setor, que estabeleça direitos iguais em todas as unidades do País, e a garantia do nível de emprego em todas as empresas beneficiadas por incentivos fiscais - caso da Volkswagen, da Ford e da General Motors, para citar as maiores.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), encomendado pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, mostra as distorções salariais causadas pela descentralização industrial e pela guerra fiscal.
Por exemplo, enquanto o salário médio das montadoras do ABC é de R$ 1,5 mil, na Fiat, em Betim (MG), o salário médio é de R$ 800. Já na Volkswagen de Resende (RJ) é de R$ 400. Em 10 anos, o número de trabalhadores nas montadoras caiu de 118,4 mil para 83,7 mil, também segundo o Dieese.
A proposta de adiamento da greve nacional, segundo Pereira, tem por objetivo dar tempo para iniciar uma negociação com as empresas do setor e com o governo sobre a pauta. Para ele, o governo deve se manifestar a respeito da reivindicação de redução da jornada de trabalho.
Para o sindicalista, a paralisação nas montadoras e autopeças põe fim a um ciclo do movimento sindical de liderar apenas greves do tipo defensivas (por emprego e cumprimento de direitos, por exemplo).
Ontem a Força Sindical deflagrou greve na Volkswagen, em Resende, por reposição do INPC acumulado desde maio (quando foi a data-base dos metalúrgicos), mais 5% de aumento real e equiparação salarial com os colegas de São Bernardo do Campo.
A paralisação em Resende marca o início de um processo de volta das greves com reivindicações econômicas, afirmou Pereira. Os reajustes de tarifas públicas e de combustíveis desestruturaram o orçamento dos trabalhadores e estão provocando um renascimento das grandes mobilizações, ele prevê.
As duas centrais sindicais estão presentes em todas as localidades onde existem montadoras instaladas. A CUT controla sindicatos de metalúrgicos do ABC, Campinas, São José dos Campos, Taubaté (SP), Betim, Juiz de Fora (MG) e Porto Alegre (RS). A Força Sindical comanda sindicatos de São Paulo, São Caetano, Mogi das Cruzes (SP), Resende (RJ) e Curitiba.





