Das Agências
De São Paulo e Rio
Em reunião realizada ontem, representantes da CUT e da Força Sindical marcaram para o dia 14 de setembro uma greve geral nas montadoras e empresas de autopeças. É a primeira vez que as duas centrais sindicais se juntam num mesmo protesto.
A paralisação será deflagrada caso os empresários não atendam à pauta de reivindicações dos metalúrgicos, que será apresentada oficialmente no dia 24 deste mês. Os metalúrgicos pedem recomposição das perdas salariais (considerando a inflação acumulada desde o início do Plano Real), redução da jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais, piso e contrato unificados (que seriam válidos em todo o país) e renovação do acordo automotivo.
‘‘O desemprego está aí e os trabalhadores já flexibilizaram tudo o que era possível. Não existe outra alternativa. A prioridade agora é recompor o poder de compra dos trabalhadores’’ afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
CUT e Força Sindical vão tentar agora conseguir a adesão de químicos e bancários para a greve do dia 14 de setembro. O presidente da Força Sindical afirmou que as montadoras praticam ‘‘dumping social’’ ao transferir suas fábricas para Estados como Minas e Bahia. Segundo ele, o único objetivo é a redução da massa de salários.
Levantamento feito pelos metalúrgicos mostra grande variação de salários no país. Enquanto na região do ABC paulista o salário médio chega a R$ 1.500, em Betim (onde a Fiat se instalou) o valor é de R$ 800. Já a Volkswagen paga um salário médio de R$ 600 para seus empregados em Resende (RJ). A mesma diferença existe em relação ao piso dos metalúrgicos. Varia de R$ 800, no ABC, a R$ 400 em Betim e Resende. O cálculo é que o piso na fábrica da Ford na Bahia não passe de R$ 300.
Os trabalhadores da fábrica da Volkswagen em Resende decidiram manter por tempo indeterminado a greve iniciada na terça-feira em protesto contra a decisão da companhia de não atender a proposta de reajuste salarial de 5% mais a inflação registrada nos últimos 12 meses. Os grevistas calculam que as perdas com a paralisação já superem os R$ 5,2 milhões.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Resende, Carlos Henrique Perrut, afirmou que a questão salarial é um ponto de honra nas negociações e que os trabalhadores não vão abrir mão do reajuste. ‘‘Não vamos voltar ao trabalho enquanto a companhia não entender que precisa aumentar os salários dos funcionários’’, disse Perrut.
Além da questão salarial, os grevistas reclamam também da instansigência da direção da Volkswagen em melhorar a qualidade do transporte dos operários. Os funcionários querem que a empresa forneça transporte exclusivo, retirando da rede municipal o acesso à companhia.
Já a Volkswagen alega que o custo seria muito alto, chegando a R$ 700 mil por ano, enquanto hoje os gastos giram em torno de R$ 200 mil. ‘‘O que foi perdido com a paralisação desses dois dias dava para pagar vários anos de transporte dos funcionários’’, argumentou.
Hoje, uma comissão do sindicato terá uma nova reunião com o vice-presidente de Recursos Humanos da Volkswagen, Fernando Tadeu Perez, para negociar os pontos da proposta dos funcionários.

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