Centrais argentinas fazem paralisação geral hoje
O plano de cortes de gastos do governo argentino deverá ter hoje a sua maior manifestação popular de repúdio, com a realização de uma greve geral convocada pelas duas alas da CGT (Central Geral dos Trabalhadores), a maior central sindical do país, e pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA).
As centrais prometem ainda uma série de atos de protesto em diversos pontos do país, para marcar sua posição contra os cortes de salários e aposentadorias proposto pelo governo, que ainda tentava ontem convencer os sindicalistas a abandonar a greve geral. Os métodos de convencimento incluíam até mesmo ameaças, como as feitas pela ministra do Trabalho, Patricia Bullrich, de revelar publicamente o patrimônio dos líderes sindicais e o custo que representam os salários que eles recebem.
A Associação dos Trabalhadores Estatais (ATE) realizou ontem uma paralisação de 24 horas, numa espécie de prévia da greve de hoje. A paralisação dos funcionários públicos chegou a 90%. Milhares de pessoas participaram das passeatas organizadas pelo sindicato ontem em Buenos Aires, e que provocaram enormes congestionamentos na capital.
Se não sairmos à rua para protestar, o que será de nós? Como farei para pagar meu aluguel se baixarem meu salário?, disse à Agência Folha a servente Silvia Caligiuri, 48, que trabalha na Universidade de Buenos Aires, durante a manifestação da ATE.
FMI O governo argentino vai tentar renegociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a sua perspectiva de crescimento para este ano. De acordo com a Carta de Intenções assinada no início do ano, a previsão de expansão do PIB argentino este ano era de 2,5%, embora o governo tenha insistido nos últimos meses que esse crescimento estava estipulado em 2,2%. O Ministério da Economia deve tentar propor ao fundo a revisão para baixo da expansão do PIB.
De acordo com fontes do Ministério da Economia, a previsão otimista é de um crescimento entre 1% e 1,5% este ano. Essa revisão está sendo interpretada pelo mercado como uma redução também na arrecadação tributária, o grande calcanhar de Aquiles do governo, já que isso implicaria déficits fiscais maiores no primeiro e no segundo trimestre.
Risco-país Todo o otimismo da terça-feira mercados em relação à Argentina desapareceu ontem com as novas turbulências políticas no país, que ameaçam o plano de cortes de gastos do governo. Os investidores temem que, com as indefinições políticas, a Argentina perca a oportunidade de conseguir um choque de confiança e de reverter as expectativas negativas, disse o analista de mercado Leonardo Chialva, da consultoria Delphos Investment.
O índice de risco-país, principal termômetro da desconfiança dos investidores, voltou a subir ontem, após forte queda no dia anterior. O risco-país, que indica a sobretaxa paga pelo país ao tomar empréstimos em relação ao que pagam os EUA, chegou ao fim do dia em 1.537 pontos (sobretaxa de 15,37%), 98 pontos mais que no dia anterior.





