O impasse em torno das negociações salariais das categorias que têm data-base neste segundo semestre pode levar as duas maiores centrais sindicais do País, a CUT e a Força Sindical, a iniciar uma greve geral no próximo dia 7 de novembro. Antes disso, dia 31 de outubro, os sindicalistas farão um ato público em frente à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e nas sedes das entidades patronais de outros Estados. Segundo o presidente da CUT, João Felício, é possível que a CGT também integre o movimento.
A maior dificuldade em chegar a acordos é motivada por algumas mudanças importantes no cenário econômico. Ao contrário do que vinha ocorrendo nos últimos anos, quando os sindicatos centraram as suas campanhas na manutenção do emprego, a indústria vive uma fase de mercado em ascensão e ganho de produtividade.
Estas condições animaram os sindicalistas a reivindicar bem mais do que a reposição da inflação passada. Fazem parte da pauta de negociações a reposição das perdas acumuladas desde o início do Plano Real e ganhos de produtividade que podem chegar a 13,85% (caso dos petroleiros) e 19% (bancários). Contribui também o perfil das categorias que têm data-base no segundo semestre, algumas das mais fortes e organizadas do País, como metalúrgicos, petroleiros, bancários, comerciários e químicos.
‘‘O que estes setores conseguem se espalha em cadeia nacional, e isso preocupa o governo, que pressiona os empresários’’, diz o presidente da CUT de São Paulo, Antonio Carlos Spis. ‘‘O governo não está negociando com ninguém’’, afirma, ao referir-se à falta de acordo no caso dos Correios e da Petrobras, com data-base em setembro.
No primeiro semestre, um estudo feito pelo Dieese mostrou que, do total de categorias pesquisadas, 55,56% haviam conseguido reajustes superiores ao INPC. ‘‘E isso numa fase em que a economia não havia deslanchado e os juros estavam mais altos’’, diz o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves.