Curitiba - O Censo Agropecuário de 2006 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou um Paraná muito heterogêneo considerando os aspectos regionais. Uma análise mais detalhada do assunto realizada pelos técnicos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostrou que houve crescimento no número de estabelecimentos agrícolas nas mesorregiões Centro Sul (Guarapuava), Norte Central (Londrina e Maringá, Sudeste (São Mateus do Sul e União da Vitória) e Metropolitana de Curitiba.
No Norte Central o número de estabelecimentos passou de 52.150 para 54.272, no Centro Sul de 38.660 para 41.368, na RMC de 24.493 para 30.458 e no Sudeste de 35.175 para 39.390. Nas outras seis regiões houve redução no número de estabelecimentos.
Os resultados do censo também apontam a manutenção da concentração fundiária. Os estabelecimentos com menos de 10 hectares responderam por 4,7% da área total. Por outro lado, as propriedades de 100 a menos de 1.000 hectares aumentaram a participação de 41,1% para 44,6%, representando a maior fatia da área. Outro indicador que mostra essa concentração é o ''Índice de Gini'' que atingiu 0,770 em 2006, valor maior que em 1996 que era de 0,741. Vale lembrar que a concentração fundiária é mais elevada quanto maior for a proximidade entre este indicador e o número 1. No Brasil, o índice verificado foi de 0,872, número pior que o do Paraná, ou seja, que aponta mais concentração fundiária.
O número total de ocupados teve queda de 13,2% passando de 1,287 milhão para 1,117 milhão na comparação de 2006 com 1996. A única mesorregião que teve crescimento foi a Norte Central (Londrina e Maringá) que passou de 186.665 para 189.708, com aumento de 1,6%. As mesorregiões Centro Ocidental (Campo Mourão) e Centro Oriental (Ponta Grossa) tiveram as maiores quedas do pessoal ocupado com percentuais de -28,3% e -20,2%, respectivamente.
As propriedades com menos de 10 hectares foram as mais representativas em pessoal ocupado e respondiam por 36% do total em 2006 contra 33,6% em 1996. No entanto, os estabelecimentos com 10 a menos de 100 hectares representavam 46,2% do total de ocupados.
A maior parte dos ocupados (62,6%) estavam nos municípios com até 20 mil habitantes, o que mostra que a agropecuária fica mais localizada nos pequenos municípios, segundo o presidente do Ipardes, Carlos Manoel dos Santos. O coordenador de conjuntura do Ipardes, Julio Suzuki, explicou que houve aumento no número de ocupados na região de Londrina por conta das pequenas propriedades que são menos tecnificadas, com isso, empregam mais.
Produção
O censo revelou ainda que as culturas que tiveram maiores aumentos de produção foram cana-de-açúcar (20,3%), milho (39,4%), soja (39%), mandioca (98%), fumo em folha (454,6%), banana (1.941%) e melancia (554%). A produção de fumo foi incrementada com a expansão das unidades de processamento de fumo no Paraná e a ampliação do número de produtores integrados às agroindústrias. A cana passou de 18,4 milhões de toneladas para 22,1 milhões e tem o maior volume do Estado, ficando à frente do milho (9,1 milhões) e da soja (8,4 milhões). Por outro lado, a produção de algodão teve queda de 92% em função da migração desta atividade para o Centro-Oeste.
Na bovinocultura houve redução de 8,6% no número de animais com a substituição das pastagens por atividades agrícolas mais rentáveis. No outro extremo, o efetivo de aves cresceu 203% com as novas indústrias de abate.



Entenda o Economês
Índice de Gini = Coeficiente de Gini: Medida de concentração, mais frequentemente aplicada à renda, à propriedade fundiária e à oligopolização da indústria. O coeficiente de Gini é medido pela relação ou por uma fórmula geral, onde é calculada a relação entre a porcentagem acumulada da população (pessoas que recebem renda, proprietários de terra, indústrias etc), a porcentagem acumulada da renda, área, valor da produção e o número de estratos de renda, área, valor da produção. O índice próximo de 1 reflete o aumento de concentração. Se a distribuição da renda, da propriedade da terra, do valor da produção industrial fosse igualitária, o coeficiente seria igual ou muito próximo de zero. Os valores do coeficiente de Gini, variam, portanto, entre 1 e zero; quanto mais próximo de 1 for o coeficiente, maior será a concentração na distribuição de qualquer variável, acontecendo o contrário à medida que esse coeficiente se aproxima de zero.

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