Às vésperas do plantio da nova safra de soja no Brasil os agricultores brasileiros estão preocupados com o baixo preço do grão no mercado internacional - hoje numa média de 5.50 dólares por bushel, com previsão de 6 dólares por bushel em maio de 2005, quando parte da safra nacional estará sendo comercializada.
Numa visita à propriedades do meio oeste americano - onde está localizado o chamado cinturão da soja e do milho -, realizada na semana passada por um grupo de agricultores do Paraná, ficou clara a empolgação dos produtores americanos com a safra que está sendo colhida.
Segundo Paul Kram, negociador de soja e milho na Bolsa de Chicago, os americanos estão colhendo uma média de 60 bushels por acre de soja o que dá cerca de 4 mil quilos por hectare e representa uma ''ótima safra''. O agricultor Erick Hund, de Champaign, é um exemplo de alta produtividade nesta safra: está colhendo de 3.700 a 4.450 kg/ha.
A média de produtividade americana é de 2.540 kg/ha, bastante inferior as médias brasileira e paranaense. Segundo dados do departamento técnico da Federação de Agricultura do Paraná (Faep) o Brasil tem produtividade média de 2.800 kg/ha e o Paraná registra 3.077 kg/ha, com casos de 4 mil kg/ha.
A boa colheita americana, que está em pleno vapor e indica uma safra de 77 milhões de toneladas, soma crescimento que beira 20% em relação aos números da safra anterior. Brasil e Argentina juntos, que ainda vão plantar suas safras, também devem superar os números da safra passada e é isso que preocupa o mercado. Haverá muito grão disponível o que indica preços mais baixos.
A estimativa é de até 40 milhões de toneladas para a Argentina e até 65 milhões de toneladas para o Brasil. Com o crescimento da produção mundial, concentrada nas mãos desses três países, há uma preocupação com relação aos preços a serem praticados daqui para frente, admite o economista Robson Mafioletti, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Os preços já estão baixos e a nova safra que começa a ser plantada a partir de outubro deverá conviver com preços abaixo das cotações praticadas em 2003/2004, com preços próximos de patamares históricos o que em Chicago significa os 6 dólares por bushel que analistas têm previsto.
Em 2003/2004 os agricultores trabalharam com preços de R$ 50 a saca em média e hoje convivem com cotações entre R$ 34 e R$ 35, com perspectivas de baixar ainda mais se confirmados os aumentos de área no Brasil e Argentina. No Brasil a área deverá crescer em média até 10%. No Paraná, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura o aumento deverá ser de até 4%.
A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da Federação de Agricultura do Estado do Paraná

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