Índice Bovespa oscila em terreno negativo durante todo o pregão

Ruídos do cenário político doméstico afetaram o desempenho do Índice Bovespa, e o indicador oscilou em terreno negativo durante praticamente todo o pregão, na contramão das bolsas de Nova York. O adiamento da apresentação do relatório da reforma da Previdência e a possível flexibilização da regra de transição trouxeram dúvidas ao mercado, que anteviu risco de desidratação da proposta inicial do governo. Adicionalmente, houve desconforto com o episódio do vazamento de conversas do ministro Sérgio Moro (Justiça) com procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato. Depois de ter caído mais de 1% pela manhã, o Ibovespa reduziu o ritmo ao longo da tarde e chegou a flertar com uma recuperação. No final do dia, marcou queda de 0,36%, aos 97.466,69 pontos.

Dólar derruba preços do petróleo e influencia ações da Petrobras

As bolsas de Nova York repercutiram o acordo dos Estados Unidos com o México, que evitará a taxação da importação de produtos mexicanos, reduzindo os temores de nova guerra comercial envolvendo os EUA. Mas o dólar mais forte derrubou os preços do petróleo no mercado internacional, o que acabou por influenciar negativamente as ações da Petrobras. Ao final do pregão, Petrobras ON e PN tiveram perdas de 1,68% e 0,41%, contribuindo para a queda do Ibovespa. "O pregão foi ruim mais pela reforma da Previdência do que pelo episódio da Lava Jato. O ponto de maior preocupação foi a nova regra de transição, além das outras três, que pode fazer recuar de R$ 1,2 trilhão para cerca de R$ 790 bilhões a economia da reforma em dez anos", disse Vítor Miziara, gestor da Criteria Investimentos.

Moeda norte-americana fecha em leve alta de 0,18%, a R$ 3,8838

O dia começou com os investidores comprando dólares no mercado de câmbio, temendo os danos do vazamento de supostas conversas entre o então juiz da operação Lava Jato, agora ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores do Ministério Público (MP). Mas o movimento perdeu força e a moeda americana reduziu a alta e passou a tarde operando perto da estabilidade, com a visão nas mesas de que as reformas econômicas de Jair Bolsonaro podem não ser comprometidas e a Previdência vai avançar. O dólar à vista fechou em leve alta de 0,18%, a R$ 3,8838. O volume de negócios foi fraco, 30% abaixo de um dia normal, segundo operadores, por conta do calendário esvaziado de eventos desta segunda-feira e a expectativa pela agenda dos próximos dias.

Taxas de juros se mantêm em queda apesar de noticiário político

O noticiário político negativo para o governo não foi capaz de desviar os juros futuros da trajetória de queda que vem sendo a tônica do mercado nas últimas semanas, tampouco o fato de as taxas terem fechado a sexta-feira (7) nas mínimas históricas. O recuo foi mais firme nas taxas curtas, refletindo o aumento das apostas em corte da Selic nos próximos meses, em meio à desaceleração da inflação e atividade fraca. Nesse contexto, a curva já começa a mostrar precificação de queda da taxa básica para o encontro do Copom na próxima semana. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular em 6,22%, de 6,270%, e a do DI para janeiro de 2023, em 7,14%, de 7,181%. A taxa do DI para janeiro de 2025 passou de 7,761% para 7,74%.

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