Cenário otimista para varejo paranaense
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
As medidas governamentais que objetivam segurar a inflação em 2011 - como o corte de crédito e a diminuição do consumo - não estão assustando os comerciantes paranaenses neste início de ano. Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio) em 68 cidades e 298 empresas aponta que 79,67% dos entrevistados acreditam num crescimento de vendas no primeiro semestre de 2011 em relação a 2010. Desses, mais de 50% vislumbram um aumento de 5% a 10% maior do que no ano passado.
De fato, quem atua na atividade varejista no Estado tem motivos para tamanho otimismo. A análise conjuntural realizada pela Fecomércio em relação às vendas de 2010 apontam um aumento de 10,77% em comparativo a 2009, com destaque para as lojas de departamentos (aumento de 25,84%), móveis, decorações e utilidades domésticas (19,10%) e materiais de construção (18,39%). No interior, os números ainda são mais expressivos. Em Londrina o acumulado para esse período foi de 13,23%, sendo que as lojas de móveis e decorações tiveram um acréscimo de 32,9% nas vendas, seguido das livrarias e papelarias (23,90%) e autopeças e acessórios (23,27%). Já em Maringá, o crescimento foi um pouco mais modesto: 9,70%.
Para Wamberto Santana, consultor econômico da Fecomércio, o incentivo à geração de empregos é um grande estimulante para o aumento da demanda e expansão de alguns setores da atividade. ''O desempenho (do varejo) está excelente, e o maior número de empregos no Paraná é um dos motivos. Vale dar ênfase às lojas de materiais de construção e mobília, que ganham força com o impulso da construção civil. As pessoas acabam concentrando as despesas nos financiamentos imobiliários e produtos para o lar'', avalia Santana.
O economista comenta que de certa forma as medidas governamentais podem frear um pouco o varejo este ano, o que não significa retração. Wamberto elenca como medidas mais duras o corte orçamentário e o aumento dos juros. ''No segundo semestre de 2011, o crescimento deve ser menor que do ano passado. A economia do comércio também está diretamente ligada ao PIB, que este ano deve crescer menos que em 2010, cerca de 5%'', calcula.
Para evitar adversidades, o especialista da Fecomércio aponta algumas ações que devem ser tomadas pelos empresários paranaenses. Entre elas estão a redução de gastos com estoques e a diminuição das margens de lucro. ''A competição é grande no mercado, por isso certas medidas devem ser tomadas para a manutenção da clientela, entre elas repassar preços menores ao consumidor'', complementa.


