Brasília - Durante o pronunciamento o ministro Palocci exibiu dados sobre o crescimento da produção industrial, no primeiro trimestre do ano o aumento das vendas e do número de horas trabalhadas na indústria e da recuperação na produção de bens semi e não-duráveis, que considera como um importante indicador. Sobre o emprego, o ministro lembrou que foram criadas liquidamente (abertura de vagas menos fechamento) 347 mil novos empregos formais nos últimos três meses, o maior indicador dos últimos 12 anos.
Aos conselheiros, ele explicou que, apesar disso, a taxa de desemprego tem aumentado em função do crescimento do número de pessoas que estão à procura de novos empregos.
O cenário otimista da economia brasileira pintado pelo ministro da Fazenda não conseguiu acabar com o receio dos empresários em investir e muito menos com as críticas dos trabalhadores à falta de ousadia do governo na área social. ''Temos um grave problema no mercado interno, com queda de renda e do consumo'', criticou o presidente da Confederação Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho.
O empresário do setor de alimentos Amarílio Macêdo destacou a carga tributária exagerada como uma das traves ao investimento. Macêdo também apontou a sonegação fiscal e a informalidade como fatores de desequilíbrio da competição e disse que ninguém investe se não tiver certeza do retorno. Ele defendeu que o custo do capital tem de ser compatível com o risco do investimento.
Para Marinho, diante do quadro de aceleração do desemprego e de baixa renda, não há espaço para aumento da taxa básica de juros e de superávit primário. ''Seria uma loucura'', garantiu. O sindicalista cobrou do sistema financeiro sua contribuição à nação. ''É inaceitável essa situação de lucros exorbitantes'', afirmou.
A cobrança de Marinho mereceu resposta imediata do presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras e ex-presidente da Febraban, Gabriel Jorge. Ele disse que os bancos têm dado sua contribuição e que o sistema financeiro tem cumprido o seu papel. Para Gabriel Jorge, o que existe é uma dívida pública alta, com o governo tomando emprestado muito dinheiro. Mesmo assim, ele se declarou otimista ao deixar a reunião do CDES. '' O governo vem tomando medidas responsáveis'', declarou, observando que o mercado tem mostrado um nervosismo que não retrata os resultados da economia do País. (AE)

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