A significativa melhora do cenário econômico, marcada pela recente queda dos juros, recuo do dólar e alta das Bolsas, traz algumas modificações para o investidor: as aplicações prefixadas recuperaram um pouco do charme, podendo tomar algum espaço dos fundos DI; já o investimento em ações, embora ainda deva continuar sendo feito por prazos longos, conta com melhores perspectivas, pois o capital estrangeiro começa aos poucos a voltar aos pregões.
O diretor do Banco AGF-Braseg, Kazuhiro Miyamoto, aponta vários fatores que melhoraram a percepção do risco Brasil nas últimas semanas, como o anúncio do novo acordo com o FMI, as medidas tomadas pelo Banco Central (BC) para aumentar a oferta de dólares, a aprovação da CPMF pela Câmara e a divulgação de índices de inflação abaixo do esperado. Esses fatores permitiram a queda dos juros, de 45% para 42% ao ano. Além disso, vários bancos e empresas brasileiros já captaram ou vão captar recursos no exterior nos próximos dias.
Miyamoto entende ainda que a maior parte dos recursos deve ser aplicada na renda fixa, pois os juros continuam muito elevados. Segundo ele, para o investidor conservador, os fundos DI, que seguem as taxas, ainda são as melhores opções. Ele indica as aplicações prefixadas, como CDBs e fundos de renda fixa tradicionais, para quem é mais ousado, investe por prazos maiores e tem grandes quantias, o que permite obter taxas mais atraentes. As aplicações prefixadas costumam ser mais interessantes quando a tendência dos juros é de queda, como agora.
As Bolsas subiram bastante nas últimas semanas, refletindo a reversão de expectativas em relação à economia. A continuidade dessa alta depende da participação mais ativa do capital estrangeiro nos pregões, o que está ligado à efetiva adoção do ajuste fiscal. Os investidores vão verificar se o governo está cumprindo as metas acertadas com o FMI.

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