Juros em queda, mas ainda elevados, oscilações fortes nas Bolsas e o dólar sepultado como opção de investimento. Ou seja, nada muito diferente do que vem ocorrendo desde outubro passado. Esse tende a ser o cenário para o aplicador no quinto ano do Real, especialmente nos próximos seis meses.
Partindo da hipótese de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, o diretor de Gestão de Recursos de Terceiros do Banco AGF-Braseg, Kazuhiro Miyamoto, acredita que o governo vai continuar reduzindo os juros, mas gradativamente.
A economista Luciana Fagundes, do Lloyds Bank, também aposta na queda das taxas, uma vez que esse recuo é necessário tanto para a melhora da atividade econômica quanto para a diminuição do déficit público.
Uma alta dos juros, ainda que improvável, não pode ser descartada. Miyamoto diz que, caso haja uma deterioração do cenário externo, o governo tenderia a elevar os juros para evitar desvalorização do real. No segmento de renda fixa, que deve continuar pagando juros reais elevados, os fundos devem ser a melhor opção de investimento para o pequeno e médio aplicador.
Quanto à política cambial, o diretor do AGF-Braseg aposta em manutenção do atual ritmo de desvalorização do real em relação ao dólar ou mesmo numa pequena redução dos ajustes. Atualmente, o Banco Central (BC) corrige o câmbio, por meio de minidesvalorizações mensais, em 7,5% ao ano. Como a inflação anual está em 2,5% a 3%, o próprio BC passou a estudar um ligeiro freio nas correções.
Luciana acredita nessa hipótese, pois ela permitirá uma redução mais agressiva dos juros, sem afetar o cupom cambial (rendimento obtido pelo investidor estrangeiro na renda fixa). O governo precisa manter esse cupom interessante para atrair capital estrangeiro e fechar o buraco das contas externas do País.
Já o comportamento das Bolsas tende a permanecer instável, afirma Luciana. ‘‘As cotações tendem a oscilar fortemente por conta de indefinições no front interno e externo.

mockup