Curitiba - Os empresários do comércio paranaense estão bastante apreensivos em relação aos efeitos da crise internacional sobre seus negócios neste primeiro semestre. Para quase um terço deles, as expectativas são desfavoráveis. Perto de 40% dos que estão pessimistas, estimam quedas entre 5% e 10% nas vendas, comparando ao mesmo período de 2008.
Desde que iniciou a pesquisa, em 2002, a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR) não registrava um cenário de tanto pessimismo. Os empresários que ainda apostam na manutenção ou crescimento das vendas representam 58,62%. No primeiro semestre de 2008, o otimismo estava presente entre 88,08% do empresariado. No segundo semestre do ano passado, 84,9% ainda acreditavam no bom desempenho dos negócios.
Para o presidente da Fecomércio-PR, Darci Piana, a maior preocupação é com o reflexo de uma provável queda nas vendas na manutenção dos empregos. ''O comércio vai passar por uma fase complicada. Esperamos o bom senso dos empresários em relação às demissões, mas isso, inevitavelmente, vai acontecer'', afirmou.
A Fecomércio-PR representa 404 mil empresas no Estado. Excluindo-se as que são consideradas empresas familiares, sobram cerca de 300 mil. ''Se cada três empresas demitir um funcionário, já serão 100 mil desempregados'', ponderou Piana.
Piana foi um pouco relutante em atribuir o pessimismo dos empresários do comércio do Paraná à crise internacional, mas concordou que essa é a motivação mais evidente, principalmente, pela pouca oferta de crédito. ''Não é possível que (o Comitê de Política Monetária do Banco Central - Copom) não faça uma redução dos juros na reunião'', disse ele.
Ainda de acordo com Piana, a quebra na safra agrícola - que pode gerar prejuízo de R$ 4 bilhões - também preocupa, pois seus efeitos sobre o desempenho do comércio são diretos.

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