Cenário favorece investimento na bolsa
Agência Estado
De São Paulo
O movimento de alta das ações tende à continuidade, embora entremeado por vendas para realização de lucros, por causa de algumas condições que indicam melhora no quadro econômico do País. A previsão é do diretor do Private Bank do Banco Fleming Graphus, Carlos Eduardo Castiglione, para quem as mudanças no cenário doméstico se cristalizaram mais entre os investidores estrangeiros.
Essa percepção combinada com o baixo preço das ações, visto do exterior, antecipou o retorno do capital externo cuja chegada à Bolsa estava prevista apenas para a virada do ano, passado o risco do bug do ano 2000. Por aí, a retomada de apetite do investidor estrangeiro por ações domésticas traduziria uma expectativa ainda mais positiva de cenário para o ano que vem.
Castiglione comenta que o mercado reavaliou o cenário econômico dividindo as reformas, principal alvo das atenções, em duas. Deixou de lado momentaneamente aquelas cuja votação ocorrerá apenas no próximo ano e acompanha as que ainda estão rolando no Congresso.
A torcida é para que a alta das ações e a expansão de volume financeiro pela retomada de compras do capital estrangeiro, nesta virada de mês, dêem largada também à migração de recursos até agora ancorados em aplicações de renda fixa para as ações. Quem prevê esse movimento aposta também na queda das taxas de juros, mais acentuadamente no ano que vem, como fator de estímulo ao interesse do investidor pelas ações. O cenário será muito bom para a Bolsa no ano que vem, mas vai obter uma rentabilidade maior com ações quem migrar no tempo certo, que é agora. A melhor opção para o investidor tirar proveito da alta da Bolsa são os fundos derivativos, que mesclam aplicações em renda fixa e em ações.
O diretor do Fleming Graphus não prevê turbulências no cenário dos próximos meses. A última, lembra, foi provocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao barrar a proposta do governo de cobrar a contribuição de servidores inativos e aumentar a alíquota de ativos, para tapar o rombo da Previdência.
A iniciativa do governo de obter recursos em outras fontes para compensar a perda de receita pela decisão do STF combinada com a retomada de ação bem-sucedida do Banco Central no câmbio para conter a alta do dólar levou a uma percepção de melhora do cenário interno pelo investidor externo, comenta.





