'Cenário externo vai dar o tom da economia em 2001'
Uma situação doméstica tranquila, mas não imune às consequências das turbulências da economia externa. Com este cenário, as perspectivas para a economia brasileira em 2001 são cautelosamente otimistas, na opinião do economista chefe do BankBoston, José Antonio Pena, que ontem à noite ministrou palestra em Londrina para cerca de 100 clientes do banco.
O Brasil está numa boa fase, como não víamos há muito tempo. Mas o cenário externo é preocupante, especialmente com relação ao que ocorrerá com a economia norte-americana, comenta Pena.
Assim como o resto do mundo, o Brasil também está na expectativa se haverá um pouso suave ou abrupto da economia dos Estados Unidos, que este ano apresentou uma alta taxa se crescimento com baixa inflação. Se a locomotiva do mundo perde força abruptamente, ocorrem consequências importantes, observa ele. Estas consequências são a retração no fluxo de capital (possível diminuição de investimentos dos EUA em outros países), e queda no consumo, que pode ser traduzido em queda nas exportações brasileiras.
A situação da Argentina, embora hoje menos alarmante quanto há poucos dias, ainda ajuda a engrossar a lista de fatores externos que podem influir na economia interna, asim como a questão do petróleo. Diante deste cenário, Pena considera que o Banco Central agiu corretamente ao manter a taxa básica de juros em 16,5% com viés neutro, na última reunião.
Teoricamente daria para baixar a taxa, se fôssemos olhar o Brasil como uma ilha que não sofresse as consequências do cenário externo, comenta. A expectativa para 2001, em sua opinião, é fechar o ano com uma taxa básica em 14,5% e inflação de 4%.
Para Pena, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 4% para este e o próximo ano está longe de ser um índice ruim. Ele ainda diz não ter dúvida de que continuará crescendo a oferta de emprego no Brasil, mas em velocidade menor do que vem sendo registrado nos últimos meses.
(Benê Bianchi)





