Cenário externo pode afetar Argentina
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Vladimir Goitia Agência Estado De Buenos Aires 
A crise na Turquia coloca a Argentina, de novo, no meio de um vendaval. Na quarta-feira, a taxa de risco argentino subiu para 741 pontos (7,4%), acima da média de 730 pontos dos países emergentes, fazendo disparar sinais de alerta dentro e fora do governo.
O secretário de Finanças, Daniel Marx, reconheceu que a Argentina está enfrentando de novo águas turbulentas, que não estão permitindo uma redução maior na taxa de risco país. A emissão de US$ 250 milhões de bônus globais, na quarta-feira, custou ao governo uma taxa de 12,44%, acima dos 12% do mesmo título emitido ao final de janeiro. A troca de Letras do Tesouro (Letes) de 91 dias, na terça feira, também saiu um pouco mais caro para o governo argentino, 6,86%, acima dos 6,7% de duas semanas atrás. Apesar disso, Marx disse que a Argentina não é a Turquia e a única semelhança entre os dois países são as respectivas blindagens financeiras obtidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
As diferenças são fiscais, monetárias, financeiras e institucionais, explicou Marx anteontem ao final da noite ao jornal La Nación. Essas diferenças, acrescentou o secretário, foram explicada nos últimos dias a diversos investidores externos. De acordo com Marx, a Turquia mostra hoje desvios significativos em relação às metas acertadas com o FMI. Ocorre que a Argentina também, principalmente na questão fiscal. O déficit fiscal em janeiro disparou para US$ 941,9 milhões, cifra US$ 404 milhões acima do resultado negativo de janeiro de 2000. O gasto públicos cresceu US$ 520,8 milhões, enquanto que a receita aumentou apenas US$ 113,8 milhões. O governo confia cumprir com as metas previstas, afirmou Marx.
O secretário disse também que a Turquia está muito atrasada nas reformas estruturais que se dispôs a fazer, que não é o caso argentino. Para ele, a crise política naquele país provocou também uma fuga de capitais de curto prazo. Já no nosso caso, os depósitos vêm aumentando, embora tenham parado no início desta semana por causa da crise que envolve o presidente do Banco Central, Pedro Pou, explicou Marx.
O maior problema da Argentina, entretanto, continua sendo o circulo vicioso no qual mergulhou. Não consegue crescer e o risco de não cumprir com as metas fiscais acertadas com o FMI aumentam. Logo depois do anúncio do pacote de US$ 39,7 bilhões, o ministro José Luis Machinea afirmara que a economia argentina começaria a crescer a partir de fevereiro. Hoje, o governo reconhece que isso poderá ocorrer somente em junho. A Argentina não cresce há mais de 30 meses.


