São Paulo - O Banco Central, por meio da ata do Copom divulgada ontem, reforçou que o cenário internacional mais complexo contribuirá para ''intensificar e acelerar o processo em curso de moderação da atividade doméstica''.
Na reunião da semana passada a taxa básica de juros foi reduzida em 0,50 ponto percentual, pela segunda vez consecutiva, caindo a 11,50% ao ano. O comitê também informou que ''reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual''.
O comitê considera que, desde a reunião feita no fim de agosto, ''o cenário prospectivo para a inflação acumulou sinais favoráveis'', apesar de ainda prevalecer incertezas macroeconômicas.
O documento reforça que, no cenário central com que trabalha o Copom, a taxa de inflação pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficará em torno da meta do governo em 2012 (4,5%). E afirma que o comitê ''identifica riscos decrescentes'' à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta.
O fator preponderante para a queda da Selic ainda foi o cenário internacional, que manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante, diz a ata. Desde o corte anterior da taxa básica, os riscos para a estabilidade financeira global se ampliaram, na visão do comitê, contribuindo para a continuidade do processo de deterioração do cenário internacional, que já contemplava reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos.
Assim, ''permanecem elevadas as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado''. O Copom continua a enxergar como limitado o espaço para utilização de política monetária nessas economias, onde prevalece um cenário de restrição fiscal.
Quanto à economia doméstica, a ata observa que o nível de utilização da capacidade instalada tem recuado, já se encontrando abaixo da tendência de longo prazo. Portanto, está contribuindo para a abertura do hiato entre PIB potencial e PIB efetivo e, consequentemente, para conter pressões sobre preços. Também foi considerado, na decisão de cortar os juros, que desde abril os preços das commodities recuaram nos mercados internacionais.

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