Rio de Janeiro - O Brasil poderá romper, este ano, a barreira dos US$ 80 bilhões em exportações, segundo projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Sem fazer muito esforço, apenas aproveitando o cenário externo favorável, o Brasil vai acrescentar US$ 5,5 bilhões às vendas. De acordo com cálculos da associação, este será o impacto, favorável aos produtores nacionais, da gripe das aves e da vaca louca em outros países, mais o aumento das cotações de soja e minério de ferro, nas vendas externas.
No início do ano, a entidade havia projetado que as exportações do País deveriam fechar 2004 em US$ 78,890 bilhões. O valor já considerava o impacto no aumento de preços da soja (em torno de US$ 3 bilhões), mas não computava os efeitos da gripe do frango na Ásia, os desdobramentos do aparecimento do caso da vaca louca nos Estados Unidos, no fim de dezembro, e o expressivo aumento no preço dos minério de ferro (18,62%).
Levando em conta a expectativa da AEB e o cenário atual, as exportações poderão chegar perto de US$ 82 bilhões este ano. Castro ressalta, entretanto, que a entidade ainda vai aguardar mais tempo para rever as estimativas, mas admite que o cenário, hoje, já é outro. ''Nossa projeção deve se alterar um pouco. As exportações possivelmente devem aumentar mais'', antecipa Castro.
Além do impacto do aumento das cotações da soja, o executivo estima que a gripe do frango pode ampliar as exportações brasileiras do produto entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões, mesmo acréscimo esperado para as vendas de carne bovina. Um problema para o frango brasileiro, pondera Castro, são as cotas impostas para entrada no mercado russo. Já o aumento de preços do minério de ferro agregará US$ 1 bilhão às vendas do produto.
A analista do setor de alimentos do Banco Brascan, Clarissa Saldanha, concorda que a gripe do frango vai favorecer o Brasil. Clarissa explica que o embargo do Japão e da União Européia à carne de frango da Tailândia abre espaço para o produto nacional. Em dezembro, o anúncio do caso de vaca louca nos Estados Unidos também abriu perspectivas para a carne brasileira. Isso tudo serviu para impulsionar as ações de frigoríficos brasileiros nas bolsas.
O diretor da AEB conta ainda que há chances de ganhos também com o avanço das cotações do café. ''São fatores externos que ampliam as exportações. A força que se tem de fazer aqui é aumentar a produção'', afirma. Aliado aos fatores internacionais, Castro cita, ainda, que a Embraer entregou 100 aviões no ano passado, valor que deverá subir para 160, gerando receita adicional de US$ 1,2 bilhão às exportações do País. Para este ano, a estimativa da entidade, feita em janeiro, prevê saldo comercial de US$ 23,37 bilhões e importações de US$ 55,52 bilhões.

mockup