Um conjunto de incertezas deve provocar muito nervosismo no mercado financeiro esta semana. As atenções estarão voltadas para as reações ao novo pacote na Argentina, a decisão do Fed (Federal Reserve o banco central dos Estados Unidos), sobre corte de juros e a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Com a perspectiva de turbulências e com o câmbio alto, analistas recomendam ações defensivas. ‘‘No curtíssimo prazo, o investidor deve buscar ações de empresas exportadoras, com ativos e receita em dólar’’, diz Beto Scretas, diretor da Schroder Brasil. ‘‘Se a Argentina ganhar fôlego, papéis mais voláteis como os de telecomunicações podem ser bons’’, afirma Scretas. Para ele, o país vizinho, mais do que os Estados Unidos, é hoje a principal preocupação.
‘‘Receio, mas não aposto no pior cenário. Se ele vier, a Bolsa cai, não se sabe para que nível, e o Brasil afunda, mas volta rápido.’’ O economista-chefe do JP Morgan, Marcelo Carvalho, concorda que o efeito da piora da crise vizinha sobre o Brasil seria severo e breve, com impacto mais setorial.
Nos Estados Unidos cresce a inquietação. O JP Morgan aumentou de 35% para 45% a probabilidade que atribui para o cenário de recessão no país. A expectativa de Carvalho, crescente entre os analistas, é que o Fed decida cortar 0,75 ponto percentual da taxa de juros, na reunião de amanhã.
Já o Copom, segundo Carvalho e outros analistas consultados, deverá adotar atitude mais conservadora no encontro de quarta-feira e não cortar o juros nesse cenário conturbado.
A grande dúvida é qual será o impacto da recente alta do dólar sobre os preços, com a economia brasileira aquecida. Mesmo com o risco de volatilidade, os analistas não hesitam em recomendar o investimento em Bolsa, desde que de longo prazo e a quem ainda não aplicou, ou colocou pouco, em ações.
Em função do acidente com a plataforma da Petrobras na semana passada e a alta do dólar no mercado interno, duas corretoras promoveram alterações nas carteiras.
A Coinvalores trocou a indicação Sabesp ON pelo papel Perdigão PN. Felipe Mônaco, analista da Sul América Investimentos, trocou a recomendação de compra dos papéis Petrobras PN pela Cemig PN. ‘‘Quem ainda não possui ações da Petrobras deve aguardar para saber com mais precisão quanto tempo a empresa vai levar para recuperar-se do prejuízo em função do acidente’’, avalia.

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