Cenário externo e reunião do Copom põem mercado em alerta
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domingo, 18 de março de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
Um conjunto de incertezas deve provocar muito nervosismo no mercado financeiro esta semana. As atenções estarão voltadas para as reações ao novo pacote na Argentina, a decisão do Fed (Federal Reserve o banco central dos Estados Unidos), sobre corte de juros e a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Com a perspectiva de turbulências e com o câmbio alto, analistas recomendam ações defensivas. No curtíssimo prazo, o investidor deve buscar ações de empresas exportadoras, com ativos e receita em dólar, diz Beto Scretas, diretor da Schroder Brasil. Se a Argentina ganhar fôlego, papéis mais voláteis como os de telecomunicações podem ser bons, afirma Scretas. Para ele, o país vizinho, mais do que os Estados Unidos, é hoje a principal preocupação.
Receio, mas não aposto no pior cenário. Se ele vier, a Bolsa cai, não se sabe para que nível, e o Brasil afunda, mas volta rápido. O economista-chefe do JP Morgan, Marcelo Carvalho, concorda que o efeito da piora da crise vizinha sobre o Brasil seria severo e breve, com impacto mais setorial.
Nos Estados Unidos cresce a inquietação. O JP Morgan aumentou de 35% para 45% a probabilidade que atribui para o cenário de recessão no país. A expectativa de Carvalho, crescente entre os analistas, é que o Fed decida cortar 0,75 ponto percentual da taxa de juros, na reunião de amanhã.
Já o Copom, segundo Carvalho e outros analistas consultados, deverá adotar atitude mais conservadora no encontro de quarta-feira e não cortar o juros nesse cenário conturbado.
A grande dúvida é qual será o impacto da recente alta do dólar sobre os preços, com a economia brasileira aquecida. Mesmo com o risco de volatilidade, os analistas não hesitam em recomendar o investimento em Bolsa, desde que de longo prazo e a quem ainda não aplicou, ou colocou pouco, em ações.
Em função do acidente com a plataforma da Petrobras na semana passada e a alta do dólar no mercado interno, duas corretoras promoveram alterações nas carteiras.
A Coinvalores trocou a indicação Sabesp ON pelo papel Perdigão PN. Felipe Mônaco, analista da Sul América Investimentos, trocou a recomendação de compra dos papéis Petrobras PN pela Cemig PN. Quem ainda não possui ações da Petrobras deve aguardar para saber com mais precisão quanto tempo a empresa vai levar para recuperar-se do prejuízo em função do acidente, avalia.


