Cenário econômico favorece construção
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba A indústria da construção civil cresceu 7,1% em 2006, depois de apresentar um recuo de 5,4% no ano anterior. As informações fazem parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que traça uma radiografia do setor.
De acordo com o levantamento, entre os fatores que contribuíram para estimular o setor em 2006 estão o crescimento da renda familiar, a maior oferta do crédito imobiliário (segundo dados do Banco Central, o financiamento habitacional cresceu 85,5% em 2006, na comparação com 2005), a continuidade da redução da taxa básica de juros durante todo o ano e o controle da inflação.
O vice-presidente da área de política e relações do trabalho do Sinduscon-PR, Euclesio Finatti, disse que o setor não está vivendo uma bolha de crescimento, mas um crescimento sustentável. Ele destacou ainda que com o aumento do poder de compra da população, o financiamento imobiliário ficou disponível para as classes C e D. Há uma quantidade maior de imóveis sendo construídos porque tem mais gente no mercado podendo comprar, disse.
Ele lembrou ainda que os jovens de 20 a 30 anos também estão investindo na compra de imóveis. Finatti acredita que o aumento dos prazos de pagamento para até 30 anos, também contribuíram para alavancar o setor. Com prazo maior uma prestação de R$ 400,00, R$ 500,00 cabe no orçamento. Apesar de as parcelas doerem menos no bolso, o mutuário vai pagar mais caro no montante total devido aos juros. Outro fator que facilitou a venda de imóveis foi a competitividade entre os bancos que levou a queda dos juros. Hoje, qualquer banco privado e não apenas a Caixa Econômica tem uma linha de crédito.
Ocupação
Em 2006, o número de pessoas ocupadas em atividades ligadas à indústria da construção manteve-se praticamente estável, passando de 1,58 milhão para 1,56 milhão entre os dois anos. Ao todo, o setor reunia 109 mil empresas (eram 107 mil em 2005) e pagava, em média, 2,5 salários mínimos mensais para cada trabalhador, totalizando R$ 17,4 bilhões em remunerações (em 2005, as remunerações somaram R$ 15,4 milhões).
Observando-se os quatro grandes grupos investigados, o levantamento aponta expansão de 20,5% nas obras de infra-estrutura, que têm o maior peso na construção. Para o IBGE, esse movimento pode estar relacionado ao crescimento de 19,3% das obras contratadas pelo setor público. Do valor total de obras executadas no país em 2006 (R$ 110,7 bilhões), 42,6% (R$ 47,1 bilhões) corresponderam a obras ligadas ao setor público. Em 2005, as construções para entidades públicas representavam 40,3%.
Já o grupo edificações não-residenciais teve um avanço de 20,2%, impulsionado pelas obras em escolas, hospitais, hotéis e garagens (49,9%), galpões e edifícios industriais (26,7%), montagens industriais (31,6%), plantas para mineração (101,6%) e instalações desportivas (45,8%). O aumento nesse último grupo está relacionado aos Jogos Pan-Americanos, realizado em 2007, no Rio de Janeiro.


