Cenário econômico afeta ocupação de shoppings
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sábado, 25 de outubro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Os empreendedores de shoppings ainda estão com dificuldades para atrair lojistas para os novos estabelecimentos inaugurados em 2013. Na média geral do Brasil, a taxa de ocupação teve crescimento pouco expressivo e passou de 50% em dezembro de 2013 para 57% em junho de 2014. O levantamento foi realizado pelo Ibope Inteligência. Em número de lojas, esse crescimento representa adicional de 370 lojas inauguradas em 36 shoppings espalhados pelo País.
Pouco mais de um terço dos shoppings inaugurados no ano passado (39%) apresentam taxa de ocupação inferior a 50%, ou seja, esses shoppings ainda operam com metade da Área Bruta Locável (ABL) desocupada. Na maior parte dos casos, as áreas vagas são aquelas destinadas às lojas satélites e ao cinema.
Os shoppings que ainda registram as menores taxas de ocupação são aqueles localizados em cidades de pequeno e médio porte (menos de 1 milhão de habitantes). Nessas localidades, a taxa média de ocupação é de 50%. Já nos grandes mercados, a taxa média de ocupação dos novos empreendimentos é de 70%.
Para o coordenador de pesquisa na área de shoppings do Ibope Inteligência, Fabio Caldas, a baixa taxa de ocupação dos shoppings novos está relacionada com o excesso de oferta de empreendimentos e com a desaceleração da economia. "Hoje o varejista pensa duas vezes antes de abrir uma loja nova", disse. Segundo ele, o crédito "mais apertado", o aumento dos juros e da inflação têm atrapalhado o setor e isso chegou ao bolso do consumidor, o que reflete no varejo. Com isso, segundo ele, o consumidor começa a adiar compras.
"O aspecto mais preocupante é que muitos dos shoppings estão localizados em mercados que apresentam baixo potencial de consumo ou estão sobreofertados", disse Caldas. Isso pode ser constatado pelo Índice de Produtividade das cidades, métrica que relaciona demanda e oferta instalada, calculado pelo Ibope.
De acordo com esse índice, mercados com índice 100 são considerados "equilibrados", onde a oferta de shoppings instalados é suficiente para atender à demanda existente. Cidades com índice entre 99 e 80 são "áreas concorridas", mas que podem ainda ter espaço para novos empreendimentos, dependendo de sua localização e do seu posicionamento. Abaixo de 80 estão os mercados de "alto risco", que dificilmente comportariam um novo empreendimento.
Dos 36 shoppings analisados pelo Ibope, 53% estão localizados em cidades nas quais o Índice de Produtividade antes da instalação do shopping era inferior a 80. "Não é coincidência, portanto, que justamente nesses municípios estejam os shoppings com as menores taxas de ocupação, cerca de 49%, em média", segundo Caldas.
Para ele, a taxa de ocupação no futuro ainda vai depender da economia voltar a ter um desempenho melhor. Caldas acredita que ocorra queda no número de inaugurações de shoppings por conta da sobreoferta e da economia patinando. O coordenador do Ibope reforça que "o setor não está em crise, mas sobreofertado".


