Cenário é positivo para bolsa de valores
Agência Estado
De São Paulo
As preocupações com a aceleração inflacionária estão mais associadas a um histórico de inflação bastante negativo na economia recente do País que à real gravidade do processo de alta em curso. A opinião é de Alexandre Camargo, diretor do Banco Bandeirantes.
Os sinais de avanço, no momento, não são preocupantes, segundo ele, por um punhado de motivos. O principal é a existência da política de metas de inflação, que prevê, para este ano, uma oscilação entre um piso de 6% e teto de 10%. No ano que vem, esse intervalo recua para 4% e 8%. Não há também sinais claros de inflação de demanda, de pressão sobre o consumo, e ademais o Banco Central tem pleno controle dela, comenta.
A determinação de cumprir a meta de inflação está na atuação do BC no câmbio, uma opção à possível elevação das taxas de juros. Camargo explica que a ação do BC é positiva, porque, como o avanço do dólar é um dos componentes de alta de preços na economia, a neutralização de pressão no câmbio quebra expectativas de alta da inflação.
O diretor do Bandeirantes comenta que a atuação do BC é consistente para conter o dólar, embora contrarie o modelo adotado. A política de metas inflacionárias prevê ação do BC sobre os instrumentos de política monetária e não intervenções no câmbio.
O caminho pela atuação no dólar sugere a manutenção dos juros no nível em que estão. Os juros básicos terão reajuste apenas se ficar claro que a inflação está sendo alimentada pela demanda aquecida ou a ação no câmbio não for bem-sucedida do ponto de vista de contenção de pressão sobre os preços do dólar.
Segundo Camargo, a tendência é que, se houver necessidade, o BC mude o viés dos juros de neutro para o de alta. A alteração de tendência, por si, agiria positivamente sobre as expectativas, sem pressionar os juros que o governo banca sobre os títulos da dívida pública.
A política do BC de intervenções no câmbio será transitória até que se clareie o cenário mais favorável previsto para o ano que vem. O crescimento da Ásia e da Europa acena com a perspectiva, internamente, de valorização do real, pela melhora da balança comercial, de declínio dos juros e valorização das ações.
O quadro de inflação em alta, que torna o juro insuficiente na renda fixa, combinado com boas perspectivas para as Bolsas indica que é hora de diversificar o investimento. Camargo sugere a aplicação de 40% a 50% do capital em fundos DI e o restante em fundos de ações. Se for conservador , o investidor pode destinar 20% dos recursos a um fundo cambial, cujos títulos embutem ainda taxa de juro atraente para uma aplicação em dólar.





