Cenário é favorável para queda dos juros
O mercado financeiro atravessa o seu melhor momento desde a crise mundial, no final de outubro passado, com a forte entrada de dólares no País e a redução no risco de uma desvalorização cambial. Por conta dessa expectativa otimista, o mercado projeta uma taxa de juros mais baixa para março, de 31% ao ano, redução de 3,5 pontos percentuais em relação à taxa básica fixada pelo Banco Central, 34,5%, e que deverá ser revista na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quinta-feira que vem.
Para quem estava com uma taxa de 43% ao ano em dezembro, é uma queda muito significativa, observam os especialistas. Nos negócios de prazo mais longo, acima de um ano, feitos entre instituições financeiras, a queda chega a quase dez pontos percentuais em relação à taxa que vigorava em janeiro. Os juros para essas operações de prazo mais longo estão na faixa de 28,60%. A previsão dos especialistas é que o BC reduza a TBC para uma taxa entre 30% e 31% ao ano, o que ainda garantiria um cupom cambial (rendimento em dólar) atrativo para o investidor estrangeiro, em torno de 14% ao ano.
O cenário é muito favorável, segundo os estrategistas. Todas as variáveis que levaram o governo a adotar medidas duras no final do ano passado hoje são positivas, afirma o diretor de renda fixa do Lloyds Bank, Marcelo Maneo. Mas os riscos, ressalta, tanto do lado externo como interno, continuam existindo. Um problema que perturba os especialistas são os números fiscais do governo que serão divulgados esta semana. A previsão é de déficit fiscal elevado, o que pode atrapalhar a trajetória de queda dos juros e a volta dos investidores ao mercado de ações.
Na avaliação dos especialistas, o que vai puxar a entrada de recursos estrangeiros daqui para frente são as privatizações, as captações no exterior por empresas e instituições financeiras, os investimentos diretos e em bolsa.
O governo poderá trocar o dinheiro especulativo que entrou atraído pelas altas taxas de juros por dinheiro mais sólido, ajudando a sustentar o nível de reservas do País, diz o analista da Caspian Securities, Alvaro Maia. O período de transição pior já passou, afirma. Ele lembra que na semana que vem, no dia 3, o BC vai aumentar em US$ 543 milhões as reservas. Esse é o dinheiro referente à captação feita pelo governo brasileiro no mercado de eurobônus.
Assim como o BNDES, que vai fazer uma emissão de eurobônus, por três anos, de US$ 250 milhões, outras empresas privadas deverão captar recursos no exterior a prazos mais longos, dizem os especialistas. A recuperação das reservas, mesmo que com dinheiro especulativo, dá mais tranquilidade às empresas para se financiarem.





