Taxas de juros em queda, cotação do dólar em relativa estabilidade e bolsa em alta. A tendência é sugerida pelo cenário desenhado pela economista-chefe da BCN Alliance Capital Management, Ana Cristina da Costa. A maior ênfase é dada por ela à perspectiva de declínio dos juros, apesar do repique da inflação, que considera momentânea, em julho e neste mês.
Ana aponta vários fatores que indicam a direção cadente dos juros. O principal é a redução do risco Brasil ou da percepção negativa que o investidor estrangeiro tem do País, por causa da substancial melhora dos fundamentos. Indicação dessa mudança de avaliação, afirma, foi a troca de ‘‘bradies’’, papéis da dívida externa renegociada por novos papéis, na semana passada. ‘‘O grande apetite pelos novos títulos, com prazo inédito de 40 anos e taxas de juros mais baixas, indica a mudança de percepção do investidor estrangeiro em relação ao País.’’
Outro fator foi a Operação Petrobrás, a venda de ações ordinárias da estatal no exterior, que vai render um reforço de US$ 2,6 bilhões às reservas do País. ‘‘O País não precisa manter o juro elevado porque pode obter financiamento por um capital de melhor qualidade.’’ A economista da BCN Alliance nota, ainda, que não há sinais de pressão de demanda alimentando a inflação e, ademais, o Banco Central só deve alterar o juro quando existe risco de que a meta perseguida de inflação não será atingida. ‘‘A inflação elevada no momento é muito pontual.’’

mockup