Cenário é de dólar em alta e bolsa em baixa
Agência Estado
De São Paulo
O mercado financeiro entra em mais uma se mana em clima tenso: as incertezas externas e as dúvidas em relação à situação fiscal do País têm pressionado o dólar e provocado forte instabilidade nas Bolsas. O diretor de Fundos do Banco de Investimentos do Sudameris, Marcelo Elaiuy, diz que, no cenário interno, o grande problema são as disputas na base de sustentação do governo, que tendem a atrasar a votação das reformas no Congresso. A aprovação das medidas é tida como indispensável para a obtenção do equilíbrio das contas públicas. O déficit fiscal é considerado o maior problema econômico do País, e a perspectiva de que continue sem solução preocupa os investidores.
Se internamente a situação não é das mais confortáveis, no cenário externo também não há motivos para tranquilidade. No momento, o maior foco de incertezas é a possibilidade de que os juros norte-americanos sejam elevados, para conter pressões inflacionárias.
Outro problema é a situação da Argentina, que enfrenta um momento recessivo e tem sua política cambial questionada. Muitos analistas acreditam que, depois das eleições presidenciais marcadas para outubro, o país vai desvalorizar sua moeda.
Por conta dessas indefinições, Elaiuy recomenda os fundos DI, por seguir as oscilações dos juros. Como são atreladas ao CDI (taxa que serve de referência para as negociações entre os bancos), eles protegem o investidor caso haja uma alta dos juros, hoje em 19,5% ao ano. Como o Copom mudou o viés dos juros de baixa para neutro, a próxima redução das taxas, se houver, só ocorrerá na próxima reunião da instituição, em 1º de setembro.
Outra preocupação do mercado é com a inflação. Depois do repique de julho, existe o temor de que os seguidos aumentos de derivados de petróleo, repassados para outros preços, pressionem ainda mais o custo de vida.
Elaiuy entende que as Bolsas podem oscilar bastante no curto prazo, por conta das indefinições externas e internas. Mas se o investidor puder aplicar por prazos longos, poderá ser interessante aplicar nos mercados de ações. Ainda que o IBovespa acumule valorização de 47,97% no ano, o índice caiu muito nas últimas semanas, e alguns preços ficaram atraentes. Mas só para quem não tem pressa de resgatar o dinheiro.





