O dólar disparou ontem por causa do receio com a Argentina, a crise política interna e dados dos EUA. O comercial fechou em alta de 1,35%, vendido a R$ 2,245. O rebaixamento do rating da dívida Argentina e de algumas províncias e bancos desse país pela Standard & Poor’s aumentou o mal-estar no mercado, provocando maior demanda por dólar para hedge. A renúncia do ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, por causa de suposto envolvimento em desvio de recursos da Sudene, fortaleceu o consenso do mercado de que a CPI Mista da Corrupção será mesmo instalada.
Tesourarias de bancos também compraram dólar por um fator interno adicional: a percepção de que o racionamento de energia elétrica no País deve provocar corte na produção de empresas e nas exportações, o que tende a prejudicar o fluxo de recursos para o País e o balanço de pagamentos do governo.
Nos Estados Unidos, a queda (a primeira em seis anos) de 0,1% do índice de produtividade divulgada ontem, enquanto o custo da mão-de-obra subiu 5,2%, acima da previsão de alta de 4,5% feita pelos analistas, também estimulou compras de dólar. Esse novo sinal de desaceleração da economia norte-americana, de todo modo, reforçou a aposta de analistas de que o Federal Reserve poderá cortar mais 50 pontos, para 4% ao ano, a taxa de juros dos Estados Unidos, em sua próxima reunião no dia 15. No mercado à vista ontem, o dólar comercial oscilou 1,08%, entre a mínima de R$ 2,226 (+0,50%) e a máxima de R$ 2,25 (+1,58%).
Num dia que teve renúncia de ministro, leilão de Letes e rebaixamento de rating soberano da Argentina, o comportamento da Bovespa acabou sendo um retrato fiel do que ocorreu anteontem no pregão: volume de negócios reduzido (R$ 517 milhões) e operações restritas ao giro. O Ibovespa registrou baixa de 0,86%, em 14.747 pontos. Ao contrário do que ocorreu no mercado de câmbio, as notícias negativas da Argentina não tiveram um impacto tão forte sobre a Bolsa. Para os analistas, trata-se de um efeito explicado pela própria natureza de giros pontuais, num ambiente de volume reduzido, que vem caracterizando o comportamento da Bovespa nos últimos dias.
Silvana Rocha, Mario Rocha e André Palhano)

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