O mercado encerrou a última semana passando a impressão de volta à relativa calmaria, após a turbulência, originada pelas incertezas em relação à Argentina, que sacudiu os diversos segmentos. As ações reagiram nos dois últimos pregões, os juros futuros caíram e o dólar também recuou, depois de bater nível recorde em quase um ano.
O sentimento predominante é que a turbulência veio, para confirmar, mais uma vez, a idéia de que outubro é tradicionalmente um mês de elevada instabilidade nos mercados, e já se foi. A expectativa é que, passada a fase de tormenta, a bolsa dê continuidade à recuperação e o dólar possa cair aos poucos abaixo de R$ 1,90.
Justifica esse movimento a melhora de cenário, diz o economista-chefe da Sul América de Investimentos, Luiz Carlos Costa Rego. Em sua avaliação, as incertezas com a crise político-econômica argentina desviaram a atenção do mercado do petróleo e da instabilidade da Nasdaq.
Embora um e outro se mantenham como foco de instabilidade internacional, a influência de ambos como fonte de pressão sobre os mercados poderá ser menos perturbadora daqui para frente. A preocupação com o preço do petróleo diminuiu. A economia dos EUA, que dita os movimentos da Nasdaq, tem indicado desaceleração.
Com o término da temporada de balanços trimestrais e arrefecimento do ímpeto de crescimento econômico, os mercados de ações nos EUA podem voltar a subir com moderação. A crise na Argentina pode fazer ainda algum barulho nos mercados. Mas a reacomodação de forças políticas pode assegurar a aprovação do pacote de medidas no Congresso e dar sobrevida ao país vizinho.
A expectativa é de cenário menos carregado, mas bolsa vai ficar mais solta apenas com a participação de capital estrangeiro. Um fluxo que esbarra na falta de lei que proteja os minoritários. Ainda assim, o investidor que está na bolsa deve permanecer nela, e quem está fora pode aplicar parte do dinheiro para aproveitar o baixo preço dos papéis. Na renda fixa, Costa Rego indica os fundos prefixados, porque aposta em pelo menos um corte do juro básico antes da virada do ano.

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