Cenário de incertezas exige cuidado
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domingo, 13 de setembro de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaApreensãoNoticiário sobre alta dos juros atrai atenções, na sexta-feira: novas medidas podem ser anunciadasMais do que ter problemas com reservas ou controle do déficit público, o País atravessa uma crise de confiança. A situação é delicada, a vida já mudou com o estouro das taxas de juros, na semana passada, mas outras medidas mais drásticas poderão ser adotadas se a saída de divisas continuar sendo expressiva nestes próximos dias. Esse cenário de incertezas vai exigir cuidado redobrado na administração do orçamento e patrimônio.
Para saber se a elevação das taxas de juros, de 29,75% ao ano para 49,75%, vai ser suficiente para acalmar os ânimos e inibir a saída de dólares, será preciso acompanhar os números diários do fluxo cambial (entrada e saída de dólares). Saldos negativos em volumes idênticos aos dos últimos dias, superior a US$ 1 bilhão, vai indicar que a alta dos juros, disposição de cortar gastos e pacotes para estimular as exportações, tudo isso está sendo insuficiente para convencer o investidor a permanecer com o dinheiro aplicado aqui.
Há, no entanto, quem acredite que a alta dos juros possa alimentar ainda mais desconfiança sobre a capacidade do País de honrar seus compromissos, interno e externo. Quando a esmola é muita, o santo desconfia, diz o vice-presidente da Nossa Caixa Nosso Banco, Joaquim Elói Cirne de Toledo. Além disso, parece haver consenso de que o fôlego é curto para o governo suportar uma taxa em nível estratosférico, por conta do aumento do déficit público. Para Toledo, uma das opções à alta dos juros seria uma elevação brutal de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em algumas operações de câmbio.
Mas para o ex-diretor do Banco Central e atual diretor de Investimentos do HSBC Bamerindus, Luís Eduardo de Assis, a elevação dos juros deve ajudar o governo a apagar o incêndio no curto prazo. Para ele, a alta dos juros indica claramente a tentativa do governo de defender a moeda. E os problemas decorrentes da alta das taxas são menores do que a perda de reservas.
Talvez não estejam muito claros os desdobramentos dessa crise aqui e qual seria o próximo passo das autoridades econômicas, mas não há dúvidas sobre algumas condutas convenientes para administração das finanças pessoais. No mercado financeiro, este não é o momento para ficar pulando de galho em galho na busca da melhor rentabilidade, mas sim de buscar proteção. É hora de pensar em uma reserva financeira, em vez de gastar. Compras? Só as necessárias e pagas à vista. O crédito está caro e os financiamentos devem ser adiados.
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