Prepare-se para enfrentar tempos ainda mais bicudos. No acordo formalizado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), existe a previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% a 4%, neste ano. Isso significa que a economia, que já vinha de um modesto desempenho no ano passado, com crescimento de apenas 0,15%, terá uma retração ainda maior agora. Consequentemente, a taxa de desemprego, que, segundo dados recentes do IBGE, está em 7,73%, poderá, numa hipótese otimista, alcançar a casa de 9% ou 10%, em todo o País.
As dificuldades tendem a ser maiores no primeiro semestre, quando deverá ocorrer um repique inflacionário, decorrente da desvalorização do real diante do dólar. A combinação da queda do poder de compra, por conta da inflação, com a manutenção dos juros elevados deverá ter reflexos nas vendas do comércio, que tende a reduzir custos e cortar encomendas à indústria. Esta, por sua vez, também deverá providenciar seus ajustes. A situação poderá melhorar no segundo semestre, se o País recobrar a credibilidade externa e conseguir controlar a inflação.
Do ponto de vista macroeconômico, os itens do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional são harmoniosos e consistentes, na opinião do economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate. Mas o economista reconhece que, por conta do ajuste fiscal e da política monetária apertada, o custo social e político do acordo é pesado.
Entre as metas fixadas, a menos provável de ser alcançada, segundo Abate, é a que prevê um saldo positivo de US$ 11 bilhões na balança comercial (exportações menos importações). Primeiro, porque o crescimento das exportações no primeiro trimestre é nulo, o que vai exigir um expressivo aumento das vendas externas no restante do ano. Segundo, porque a Argentina, um de nossos parceiros comerciais importantes, deve também enfrentar um período de recessão, e terceiro porque os preços das commodities (produtos) exportáveis não estão tão atraentes.
No mais, Abate considera aceitáveis as projeções para a inflação deste ano, a cotação do dólar, níveis de juros e reservas cambiais e os números das contas externas. ‘‘Os números mostram que a dívida interna vai crescer, com os efeitos da desvalorização, mas não vai explodir.’ A indicação de queda dos juros no próximo ano também vem reforçar a idéia de que será possível o controle da dívida pública.
Ao que tudo indica, afirma o especialista, as dificuldades não estarão tanto na condução para o alcance das metas econômicas, mas nas dificuldades políticas e sociais que o governo poderá enfrentar.

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