O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo brasileiro iniciaram ontem a oitava revisão do acordo de ajuda internacional ao País com mais dúvidas do que certezas sobre o futuro da economia brasileira. A crise energética e a alta persistente da taxa de câmbio alteraram todas as perspectivas traçadas para este ano e colocaram em risco o cumprimento das metas de inflação.
A nova missão do FMI, a penúltima antes do fim do acordo em 1º de dezembro, terá que rever os parâmetros e projeções de indicadores previstos na sétima revisão, em função do atual quadro econômico. Em março, as perspectivas em relação ao futuro da economia brasileira eram muito favoráveis. Em apenas três meses, o cenário foi completamente alterado. O Memorando Técnico de Entendimentos da sétima revisão previa uma taxa de 4,5% de crescimento para o PIB brasileiro, e agora o Banco Central já trabalha com uma taxa de 2,8%.
A projeção de crescimento da dívida líquida pública, em relação ao PIB, também será um dos indicadores que serão revistos. No Memorando de março a previsão era de que, ao final do ano, a dívida seria equivalente a 49,7% do PIB, incluindo os ajustes associados às receitas de privatizações e a securitização de passivos não registrados. Em maio, já batia em 51,9%.
O acordo com o FMI exige que a equipe econômica se justifique porque a inflação acumulada nos doze meses terminados em junho ficou acima do limite de desvio permitido no acordo. Essa é a segunda vez desde que o acordo com o FMI foi assinado, em 1998, que o Brasil descumpre a meta trimestral.
De acordo com as expectativas do mercado financeiro, a inflação nos doze meses que acabam em junho deve ficar em 7,48%, medida pelo IPCA.
Os técnicos do FMI ficam no Brasil até o fim da próxima semana. Ontem eles tiveram reuniões na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e no Banco Central. A missão é chefiada pelo economista Lorenzo Peres. Participa do encontro o vice-presidente do Banco Mundial (Bird) para a América Latina, David de Ferranti.

mockup