Cenário ajuda indústria a manter nível de emprego
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio - O crescimento da economia e dos investimentos fizeram a indústria elevar a fatia de participação no número de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País, após recuos que levaram o setor a passar de um porcentual de 17,6% dos empregados em 2003 para 17,1% no ano passado, perdendo espaço para os serviços.
O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, disse que a perda industrial nos últimos anos respondeu a uma mudança estrutural resultante da maior automação e do aumento de produtividade do setor e, ainda, do aumento da terceirização no País.
Porém, com a forte reação da economia a partir de 2007, a indústria voltou a acelerar a geração de empregos e permaneceu com a mesma fatia de 17,1% no primeiro semestre de 2008, interrompendo a trajetória de queda. Mais que isso, o setor chegou a registrar aumento na sua fatia de junho do ano passado (16,9%) para junho deste ano (17,3%). Segundo Azeredo, a indústria está ''sustentando a posição'' porque tem sido um dos setores com maior impulso no novo ciclo de crescimento econômico.
Para o economista Marcelo de Ávila, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o emprego industrial está crescendo mais rapidamente e isso já se reflete no mercado de trabalho metropolitano. Ele acredita que o aumento da fatia do setor em junho no total de ocupados é um sintoma de ''maturação dos investimentos''.
O economista da CNI avalia, ainda, que nos últimos anos, a indústria vinha interiorizando o seu crescimento e, por isso, o mercado de trabalho do setor nas maiores cidades sofreu efeito dessa desconcentração regional. Porém, o recente crescimento vigoroso da economia ''é tal que contagiou as regiões metropolitanas, houve um alastramento dos benefícios do crescimento''.
No processo de mudança estrutural destacado por Azeredo, o setor de serviços prestados às empresas, aluguel e intermediação financeira, embalado pela expansão do processo de terceirização no País, elevou a fatia no total de ocupados de 13,9% em 2003 para 14,9% no ano passado, mantendo-se também praticamente estável (15%) no primeiro semestre de 2008. De junho do ano passado para igual mês deste ano, também permaneceu inalterado, em 15,1%.
Segundo Azeredo, a recente mudança na participação da indústria e dos serviços não é um sintoma de conclusão do processo de mudança estrutural, mas responde aos bons resultados do mercado de trabalho e da geração mais acelerada de vagas em ambos os setores.
Os dados do IBGE mostram também que, mesmo tendo perdido participação na ocupação industrial nos últimos anos e registrado crescimento no número de empregados bem inferior aos dos serviços, a indústria elevou os salários em magnitude muito maior. Além disso, o setor industrial vem reduzindo a distância dos serviços no que diz respeito à geração de postos.


