O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), anunciou neste final de semana que desistiu de comprar a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Em reunião com o presidente da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig), Djalma de Moraes, ele determinou que a estatal mineira recuasse. Itamar alegou ''razões técnicas e financeiras'' para colocar o pé no freio. A Cemig já havia comprado por US$ 35 mil o direito de participar do 'data room' da Copel, onde obteria todas as informações estratégicas da empresa.
A postura de Itamar trouxe certo alívio para o governo paranaense. Contrário à privatização do setor elétrico nacional e, declaradamente, avesso à política adotada pelo governador Jaime Lerner (PFL) quanto à Copel, Itamar representaria um calo no sapato aos planos políticos de Lerner caso levasse adiante a idéia de comprar a estatal. O governador mineiro foi o primeiro a subscrever o abaixo-assinado do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, quando fez palestra na Associação Comercial do Paraná.
Segundo a assessoria de Itamar, um dos motivos para a desistência foi a dificuldade em encontrar um parceiro para formar consórcio. Por ser uma companhia estatal, a Cemig está impedida legalmente de participar de leilão. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) proíbe que uma estatal compre outra estatal. ''O leilão é para privatização e não para reestatização'', teria informado o banco em um memorando que encaminhou à Copel, quando a empresa manifestou interesse em participar das privatizações das usinas de Salto Santiago e Salto Osório, ambas da Gerasul.
Com a retirada da Cemig, o Consórcio VBC á formado pelos grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Correa passou a ser o único representante nacional na disputa pelo controle da estatal. O leilão está marcado para 31 de outubro.
Em Curitiba, a coordenação dos trabalhos do 'data room' informou ontem que até o final da tarde, a Cemig não havia feito comunicado oficial da desistência. O edital de privatização será publicado na quinta-feira.
O governo ainda não decidiu se a Cemig poderá reaver os US$ 35 mil que pagou para ter acesso ao 'data room'. De acordo com o Palácio Iguaçu, somente após avaliar os motivos alegados pela Cemig para desistir do leilão, a comissão vai se posicionar sobre o assunto. (Com agências)

mockup