Brasília - As operadoras de telefonia celular estão apostando na tecnologia da terceira geração (3G), que deverá chegar ao País em 2008, para entrar no mercado brasileiro de banda larga. A conexão em alta velocidade à internet, hoje restrita às redes das empresas de telefonia fixa e das operadoras de TV a cabo, poderá ser feita também pelas redes sem fio. Com mais velocidade, o celular de terceira geração passará a ser usado cada vez mais para novas funções, como baixar vídeos, músicas e jogos, mandar e-mails e transmitir arquivos.
  A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fará em novembro o leilão das licenças de 3G. A expectativa é que no segundo semestre de 2008 o Brasil já tenha a nova tecnologia. A Anatel quer que haja em cada área a ser licitada quatro operadoras de 3G e acredita que as maiores interessadas são as empresas que já atuam no País, entre elas Vivo, TIM, Claro, Oi e BrT GSM.
  Com a evolução tecnológica, os serviços se multiplicam e o celular se transforma em um aparelho multiuso, com câmera, rádio, TV e internet , substituindo o cartão de crédito para pagar contas e tornando-se um aparelho de localização. ‘‘A diferença é o aumento da capacidade, que permite que tudo isso possa ser feito com mais qualidade, rapidez e precisão’’, disse ao Estado o conselheiro da Anatel José Leite Pereira Filho, relator do processo da 3G.
  Os aparelhos em uso nos países que possuem 3G operam com velocidade de 1 megabits por segundo (Mbps). Essa capacidade é 15 vezes superior à dos celulares de segunda geração. Já começaram a ser vendidos na Europa celulares com até 7 Mbps, semelhantes às bandas largas das teles e das empresas de TV a cabo no Brasil.
  O presidente da TIM, Mario Cesar Pereira de Araujo, vê a terceira geração como uma solução para ampliar o acesso à banda larga no País, restrita hoje a 5,7 milhões de usuários. ‘‘O governo fala em inclusão digital e a 3G pode permitir a competição na banda larga, levando o acesso onde a telefonia fixa não chega’’, afirmou. A tecnologia de terceira geração vai permitir também a conexão à internet sem fio pelo lap top ou pelo computador de mesa.
  O presidente da Claro, João Cox, acredita que a 3G seguirá o mesmo caminho do celular, que caiu de preço com a disseminação do serviço. ‘‘Há 10 anos, quando surgiu o celular, todo mundo falava que era coisa de elite, e era mesmo. Até que surgiu o conceito do pré-pago e com ele a popularização do serviço’’, afirmou.
  O presidente de uma das maiores empresas fornecedoras de tecnologia de telefonia celular, a Qualcomm, Marco Aurélio Rodrigues, também acredita que a tendência da 3G é se tornar barata rapidamente. ‘‘Isso é inexorável, porque hoje existem no mundo 2,5 bilhões de usuários de celular. Um negócio que tem essa escala, não tem jeito, cai de preço vertiginosamente’’, afirmou.
  A Anatel vai estabelecer obrigações para as operadoras de 3G para garantir que, em cinco anos, todos os municípios brasileiros tenham celular, seja de segunda ou terceira geração. Hoje mais de 2 mil municípios ainda não têm o serviço.

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