Brasília - Os cerca de 22 milhões de brasileiros que têm celular pós-pago, aqueles que gastam mais com a conta telefônica e os que já usam o celular para outros serviços, além do simples telefonema, são o principal alvo das operadoras para os novos celulares de terceira geração (3G). A nova tecnologia, com capacidade de acesso à internet em banda larga sem fio, chega definitivamente ao Brasil no próximo ano.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já deu a largada para a venda de 44 licenças de 3G no País. Amanhã, será publicado o edital com as regras do leilão, previsto para 18 de dezembro. Serão 11 áreas de atuação e em cada uma a Anatel quer quatro empresas oferecendo os serviços.
A nova tecnologia também estará disponível para quem usa celular pré-pago, mas a tendência é de que esse tipo de cliente faça adesão à 3G mais adiante, quando os preços estiverem mais acessíveis. Esse universo do sistema pré-pago representa 90 milhões dos 112,7 milhões de aparelhos em funcionamento no País.
O presidente da Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel), Ércio Zilli, acredita que, a princípio, os clientes em potencial da 3G venham do mercado corporativo, como executivos de grandes empresas.
Com a 3G, o celular ganha mais funções, semelhantes às da internet, permitindo enviar e baixar arquivos em alta velocidade, como músicas, fotos e vídeos. Isso é possível com o aumento da capacidade da transmissão. A maioria dos aparelhos em uso nos países que possuem 3G operam com uma velocidade de 1 megabit por segundo (Mbps), 15 vezes superior à dos celulares atuais, que em média transmitem a 64 Kbps. Já começam a ser vendidos na Europa celulares com até 7 Mbps.
O celular de terceira geração também está apto a receber sinais de TV e rádio. Ele pode ser usado ainda como um cartão de crédito ou como um sistema de localização, informando vias de acesso e distâncias até o destino pretendido.
A avaliação do mercado é de que a 3G seguirá o mesmo caminho do celular, podendo até começar com preços mais salgados, mas se tornando mais acessível.
No caso dos aparelhos, a queda de preço já acontece fora do Brasil pelos ganhos de escala, uma vez que no mundo há um mercado potencial de 2,5 bilhões de usuários de celular. Hoje, já há celulares 3G a US$ 100 (R$ 180), mas ainda não há previsão de quanto o serviço poderá custar no Brasil.

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