O Departamento de Aviação Civil (DAC) do Ministério da Aeronáutica está estudando uma portaria para restringir ainda mais o uso de telefones celulares e de outros aparelhos eletroeletrônicos. O DAC deverá impedir que as pessoas portem tais aparelhos a bordo das aeronaves. Uma das medidas estudadas é o cadastramento dos celulares e outros aparelhos do usuário, que terá um recibo da companhia e poderá resgatá-los ao final do vôo. A idéia é impedir que os passageiros embarquem com esses equipamentos e dar aos celulares, lap tops e agendas eletrônicas o mesmo tratamento dado às bagagens especiais, como armas, por exemplo.
Apesar de ainda não estar comprovado cientificamente a relação entre o uso de celulares e a interferência em sinais emitidos pela cabine de comando, a Associação de Aviação Civil Internacional recomenda que tais aparelhos sejam desligados, principalmente nos períodos críticos de pouso e decolagem. Especialistas não afastam a possibilidade de a interferência de ondas eletromagnéticas de aparelhos estranhos à aeronave ter contribuído para o acidente com o Fokker 100 da TAM, que caiu no bairro do Jabaquara, em São Paulo, e provocou a morte de 98 pessoas.
Para o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Luiz Fernando Collares, ‘‘qualquer medida preventiva é louvável’’. Collares, no entanto, insiste que não há evidências de que a utilização dos aparelhos eletrônicos contribuam para acidentes aeronáuticos.
Usuários As medidas de restrição aos celulares gozam de simpatia entre os próprios usuários. Para o engenheiro Miguel Lamperd, de 52 anos, que trabalha na indústria petroquímica e utiliza frequentemente seu celular, ‘‘tudo depende da educação do povo’’. Ele acredita que as pessoas ‘‘não devam ser tratadas como se estivessem no Jardim de Infância’’. Segundo Lamperd, que é filho de piloto e viaja amanhã às 7 horas pela TAM para São Paulo e depois Porto Alegre, ‘‘é importante que as pessoas tenham consciência de que a bordo se deve desligar o aparelho’’.
Já Abrãao Zagury, de 51 anos, que trabalha na PreviNor, fundo de pensão da Norquisa, acredita que é muito importante que as companhias adotem medidas para garantir a segurança dos usuários. ‘‘Sigo as instruções e mantenho meu celular desligado’’, disse Zagury, que antes de viajar hoje (ontem) às 14h15m na Ponte Rio-São Paulo disparava telefonemas do celular.
O consultor de marketing da Interunion, Paulo Azevedo, de 38 anos, acha que o DAC ‘‘está certíssimo’’. Azevedo, que empunhava seu celular antes de viajar na mesma Ponte Rio-São Paulo, acredita que o aparelho provoque interferência nos comandos do avião. Maria Alice Cintra Santos, que ontem embarcou para Campinas, também elogiou a iniciativa do DAC. ‘‘Morro de medo de acidente e sempre chamo a atenção de quem se aventura a usar o celular dentro do avião’’, disse.
O marido de Maria Alice, Darlan Dória, de 53 anos, que esteve ontem no Aeroporto Santos Dumont, também aprova a intervenção do DAC. Diretor-executivo da Fename (Financiamento de Máquinas e Equipamentos) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dória disse que ‘‘não tem sentido as pessoas portarem celular em pleno vôo’’. A medida também foi aprovada pelo engenheiro Wilton Goldemberg, que viajou ontem do Rio para São Paulo a partir do Santos Dumont.

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