São Paulo - O celular de Maria Carolina Santos, funcionária do Banco Real, já substitui o dinheiro e o talão de cheque que ela carregava na bolsa para pagar uma corrida de táxi. Há duas semanas ela e um grupo de funcionários do banco foram escolhidos para testar uma nova forma de pagamento via telefone celular que envia para a fatura do cartão de crédito o valor dos gastos. O alvo escolhido para o teste foi um ponto de táxi na região da Avenida Paulista, onde está o edifício sede do Banco Real.
A operação é simples. Em cada corrida o taxista registra o total da despesa num terminal da Visanet (Mobil Mpay). O passageiro tem apenas de discar um número no seu celular, teclar seu código de acesso e em seguida aproximar o aparelho do terminal que marcou o valor da corrida. No mesmo instante a transação é efetuada e o valor gasto, debitado na fatura do cartão de crédito do passageiro. A cada gasto ele recebe uma mensagem (SMS) no celular com o valor do débito.
''Não precisa usar o plástico do cartão de crédito e para fazer o pagamento pode ser usado qualquer celular'', diz o superintendente de cartões do Banco Real, Mario Mello. O taxista David Puosso, com 30 anos de praça, é um dos 12 motoristas do ponto que participam do piloto. ''É uma garantia contra cheques sem fundo.'' Até o fim de ano cerca de 4 mil funcionários que trabalham nessa agência vão testar o sistema. Se ele for aprovado, em dois meses poderá aos poucos ser utilizado por consumidores fora do banco. O custo do aparelho ainda está em avaliação.
Celulares, cartões com chip e até a biometria, que usa elementos do corpo para identificação, são algumas das inovações tecnológicas que os bancos vêm testando e utilizando para aumentar a segurança nas operações e facilitar a vida do consumidor.
Os cartões com chip, os chamados smart cards (cartões inteligentes), já somam 18 milhões de unidades no País entre produtos da Visa e Mastercard de débito, crédito e múltiplos, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). A migração da tarja magnética para o chip foi intensificada nos últimos dois anos, mas os bancos se encontram em fases diferentes no processo. O Bradesco, por exemplo, planeja converter até março no ano que vem cerca de 10 milhões de cartões.
''Nos últimos anos o preço do chip caiu muito, de US$ 2,57 por unidade em 2002 para US$ 1,20 este ano'', compara o executivo da área de cartões no Banco do Brasil, Sérgio Donato Chrystal, que tem 45% da sua base de cartões com chip, cerca de 5 milhões de plásticos.
Já o Santander Banespa adotou o chip em 2002 apenas em 17 universidades que utilizam o cartão como identificação e controle de acesso, mas já testa plásticos que dispensam o contato com um terminal. A partir do próximo ano, o banco quer emitir alguns produtos com essa tecnologia (contactless).
Os bancos destacam a importância do chip para evitar clonagens e fraudes. Mas investem em outras tecnologias que também ampliam a segurança nas transações bancárias.
O Bradesco há 10 meses usa a biometria (medidas do corpo humano) para a leitura da palma da mão em operações feitas em caixas eletrônicos na agência matriz do banco, em Osasco, e na agência de Alphaville, ambas na grande São Paulo. Os 1.030 clientes cadastrados já efetuaram 15 mil transações. Nesse sistema biométrico, para efetuar um saque, por exemplo, o cliente aproxima a mão do caixa eletrônico e um sensor lê os vasos sanguíneos da palma para autorizar a transação.
''O que chama a atenção na leitura da mão é o nível de segurança. A probabilidade de haver coincidências de usuários com o mesmo desenho de veias na palma é de 8 para 10 milhões ou 0,00004%'', diz o vice-presidente do Bradesco, Laércio Albino Cezar.
Do total de R$ 1,5 bilhão que o Bradesco está investindo este ano em tecnologia, R$ 150 milhões são para segurança nas operações bancárias. O sistema que usa a biometria custa cerca de US$ 800 por máquina e não é considerado barato. ''Mas, com a massificação, o custo deverá ser menos salgado.'' O teste biométrico será estendido para 50 máquinas de auto-atendimento até o próximo mês e em três anos, ampliado, aos poucos, para a rede.
O Banco do Brasil é outro com foco na captura de dados da palma da mão. A instituição testa o método na sua sede, em Brasília. ''Descartamos a leitura da íris do olho, outra possibilidade da biometria muito segura. Mas, além de o custo ser alto, em torno de US$ 4 mil por terminal, as pessoas têm receio de se expor a um flash de luz no olho'', explica o gerente-geral de Tecnologia do BB, José Alvarez Raya.
A leitura da impressão digital, o método mais barato, observa, também tem restrições. ''Sujeira, calosidades e cortes nos dedos podem alterar o resultado.'' A captura de voz é outro método que foi dispensado pelo banco. ''Se o cliente falar e estiver rouco ou fanhoso, sua identidade não será reconhecida'', diz Raya. O teste com leitura da palma de mão, se aprovado pelo BB, deverá começar a ser adotado em meados de 2007 em algumas agências.
A procura dos bancos pela tecnologia pode ser medida pelos números da Visa, que tem 8,2 milhões de plásticos com chip no Brasil. Segundo a empresa, nos últimos 12 meses o número de cartões chipados cresceu 236% no País e o número de transações, 260%. Mas é no exterior que a Visa tem pesquisado tecnologias para novas formas de pagamento. Na Ásia, a bandeira lançou o primeiro cartão com chip sem contato. O pagamento é feito através de frequência de rádio. O consumidor, em vez de passar, apenas aproxima o cartão da máquina leitora.

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