O mercado argentino tem sido o principal destino das exportações das indústrias de telefonia celular instaladas no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee), a Argentina foi responsável por cerca de 40% das compras do setor neste primeiro semestre, segundo o balanço divulgado pela entidade. Dos US$ 286 milhões que as empresas do ramo faturaram com as vendas ao exterior, entre elas, empresas como a Motorola e a Ericsson, pelo menos US$ 120 milhões vieram do país vizinho.
O assunto já entrou até na pauta da imprensa local. No mês passado, um dos principais jornais do país, o Clarín, publicou uma matéria sobre a invasão dos telefones brasileiros na Argentina. O modelo de privatização do sistema de telefonia argentino é um dos fatores que favoreceram as empresas do Brasil este ano. O país vivia o duopólio na competição das operadoras até o ano passado, e agora vai experimentar a entrada de outros dois competidores, o que deve ampliar a oferta de telefones. A penetração de celulares na Argentina, segundo a consultoria Yankee Group, deve passar de 12% para 16% por conta do aumento no número de competidores.
Na pauta das exportações do setor eletroeletrônico, a telefonia puxou, mais uma vez, o crescimento das vendas em junho. Telefones móveis, componentes para telecomunicações e estações rádio-base representaram cerca de US$ 120 milhões das US$ 418 milhões arrecadados com as vendas de eletroeletrônicos para o mercado externo.
Ao todo, o País já exportou cerca de US$ 2 bilhões neste primeiro semestre, 45,4% a mais do que no mesmo período do ano passado. Pelos cálculos da Abinee, as empresas de eletroeletrônicos fecharão o ano com vendas de US$ 4,3 bilhões. Apesar de as telecomunicações terem aumentado sua participação nas exportações, o saldo da balança do setor ainda é negativo. No primeiro semestre, as importações chegaram a US$ 5,2 bilhões, principalmente pela compra de componentes elétricos de empresas de fora.

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