O emprego segue aquecido

Um mês após o outro, a foto de fundo não mudou: enquanto a atividade econômica continua em marcha lenta, o emprego segue forte, bem acima dos níveis históricos.
É o que se mede pelo seu oposto, pelo índice de desemprego. Os últimos levantamentos do IBGE dão conta de que a desocupação aumentou no Brasil apenas um décimo de ponto: em agosto, estava em 5,3% da força de trabalho e, em setembro, passou a 5,4%. Ainda assim, não subiu em consequência da queda de demanda de mão de obra, mas porque, em São Paulo, a parcela da população que antes não procurava trabalho (doentes, estudantes, aposentados, donas de casa) cresceu 12,8%. É situação que sugere busca de ocupação temporária, o que deve se acentuar no fim do ano, com a intensificação da atividade agrícola e das festas natalinas.
Se não é uma situação de pleno emprego, está muito próxima disso. Neste momento, é uma força da economia brasileira, porque garante boa expansão do consumo, enquanto a economia dos países avançados se mantém prostrada na crise. Na Espanha, por exemplo, o desemprego atinge quase um quarto da população ativa. Pior, mais da metade dos jovens de até 25 anos está desempregada ou não encontra vagas em atividade para a qual se preparou.
Trata-se de um quadro desolador porque derruba o consumo e tende a produzir deflação. Esta, por sua vez, sangra a arrecadação dos governos, aumenta as despesas públicas (sobretudo com seguro-desemprego e tratamento de saúde) e aumenta o rombo orçamentário e a dívida. Tudo isso impõe novos ajustes que endurecem mais a vida, sem perspectiva de virada rápida deste jogo de placar adverso.
Para outros bens e outros males, os problemas do Brasil são decididamente outros. Na área do emprego, o Banco Central, por exemplo, vem advertindo que os salários estão crescendo mais rapidamente do que a produtividade da mão de obra, o que indica a existência aí de um foco inflacionário.
E há, também, as pressões sobre a balança comercial. Mais consumo com atividade econômica contida exige importações mais altas que ajudem a compor a oferta de matérias primas, componentes e de bens de consumo.
Alguns estudos de economistas já explicaram que a situação de desemprego baixo num quadro de atividade econômica relativamente restrita (crescimento de apenas 1,5% ao ano) está em parte relacionada com fatores demográficos relativamente novos: queda do índice de natalidade e adiamento da entrada no mercado de trabalho, porque é preciso estudar mais e se preparar melhor.
Mas é necessário levar em conta, também, que há atividades econômicas também relativamente novas no setor de serviços, que passou a empregar mão de obra intensiva, como assistência técnica, call centers e segurança.
A atual situação de pleno emprego deixa boa pergunta à procura de resposta: o que acontecerá com o nível de emprego no Brasil se a atividade econômica (PIB) em vez dos atuais 1,5% ao ano crescer os 3,0% a 4,0% com que conta o governo Dilma?

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