Por conta de São Pedro
  O clima – sempre ele – será o principal fator de incerteza para a safra de grãos 2010/2011, que começa a ser semeada agora.
  A principal preocupação do momento entre os especialistas são as ameaças do La Niña. Quando ocorre, esse fenômeno climático no Pacífico, costuma provocar estiagem em janeiro e fevereiro, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. Nos últimos três meses já choveu menos do que o esperado nessas regiões, o que atrasou o plantio de algumas culturas.
  No Mato Grosso, por exemplo, apenas 0,4% da área destinada à soja já foi semeada. Em igual período de 2009, o plantio atingia 5%. Em São Paulo foi plantada 4% da área destinada à cultura do milho ante 15% no mesmo período do no passado.
  De olho nesse quadro, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado quinta-feira, prevê uma quebra de safra. Aponta colheita avaliada entre 145,72 milhões e 147,93 milhões de toneladas de grãos, o que corresponde a uma redução de 0,6% a 2,1% sobre a safra anterior.
  A Conab é, em geral, mais cautelosa ao projetar os resultados a partir dos primeiros levantamentos. A primeira estimativa da safra recorde, de 148,82 milhões de toneladas de grãos, que acabou de ser colhida havia sido de cerca de 140 milhões de toneladas.
  Não é certo que o La Niña apronte nos próximos meses. Por conta disso, o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto, avisa que não estão descartados novos recordes de safra, desde que São Pedro ajude e a produtividade média se mantenha. Nesse caso, o Brasil poderá colher entre 150 milhões e 151 milhões de toneladas de grãos.
  Essa previsão mais otimista é compartilhada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A CNA indica uma série de fatores positivos que podem estimular o agricultor, como custos de produção de 8% a 10% mais baixos do que no ano passado e a alta dos preços internacionais das commodities agrícolas.
  O mercado está especialmente interessante para quem planta algodão, milho e soja. Nos 12 últimos meses, os preços do algodão saltaram 67%. Enquanto isso, as cotações da soja negociada em Chicago subiram 15% e as do milho, 36,8%.
  Os analistas do setor apostam em que os preços agrícolas devem se manter em alta nos próximos meses, principalmente em consequência do que vem acontecendo no resto do mundo: quebra de safra de trigo na Rússia, de milho nos Estados Unidos, de algodão no Paquistão e na China.
  O levantamento da Conab aponta ainda que a área para o plantio deve alcançar 47,99 milhões de hectares, 1,3% a mais em relação à safra anterior, quando foram cultivados 47,37 milhões de hectares.
  Essa expectativa de aumento mexe com outro setor: o de fertilizantes. A estimativa é que o consumo atinja de 23 milhões a 23,5 milhões de toneladas ante as 22 milhões da safra anterior. O diretor da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), David Roquetti, garante que não irá faltar produto no mercado. E se essas previsões se confirmarem, dá para contar com um novo aumento da renda do interior, com impacto sobre toda a economia.

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