BP e Petrobrás
  A agora simplesmente BP (antiga British Petroleum) é uma das gigantes mundiais do setor cuja falência começa a ser noticiada, por enquanto com os desmentidos de praxe.
  Ontem, o diário londrino The Times anunciou que o megadesastre da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México pode afundar de uma vez a BP e que o governo inglês já prepara um plano de contingência para enfrentar a falência.
  O prejuízo imediato admitido é de US$ 3,12 bilhões, mas o presidente Barack Obama chegou a anunciar a aplicação de uma punição de US$ 20 bilhões, embora a legislação americana preveja multa máxima de US$ 5 bilhões para casos de catástrofes petrolíferas. Sabe-se lá quantas dezenas de bilhões de dólares esse desastre ainda vai custar para toda a sociedade americana.
  O acidente não aconteceu em condições operacionais especialmente críticas. Ao contrário, o vazamento descontrolado começou, de repente, ao final de uma operação tecnicamente simples de exploração de petróleo, quando a BP já se preparava para enviar a plataforma para outra área.
  Até agora não se sabe qual foi o procedimento de segurança que falhou. Perante uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o presidente da BP, Tony Hayward, fez referências a ‘‘uma combinação inédita de falhas’’, declaração tautológica que aparece a cada acidente aéreo.
  No mundo operam hoje milhares de plataformas semelhantes à Deepwater Horizon. Todas as companhias de petróleo, inclusive a Petrobrás, usam sistemas de segurança equivalentes. A Petrobrás não tem muitas lições de moral a dar nesse particular. Ao contrário, tem um imenso passivo ambiental, que reflete sua vulnerabilidade a acontecimentos desse tipo.
  Neste momento, a Petrobrás se prepara para uma vastíssima exploração de petróleo e gás no pré-sal. As novas regras preveem que todos os projetos de partilha terão 30% de participação da estatal. Isso significa que estará envolvida em praticamente todos os acidentes com vazamento que eventualmente ocorrerem na exploração do pré-sal. Em outras palavras, a Petrobrás estará ainda mais exposta ao risco de prejuízos gigantescos que poderão colocar em perigo sua sobrevivência, como acontece hoje com a BP. Há três semanas, com base em evidências dessa natureza, a agência Bloomberg advertiu que a Petrobrás é a companhia de petróleo mais vulnerável a acidentes do tipo que atingiram a saúde da BP.
  Nas janelas abertas na parede de silêncio regulamentar a que se submeteram até o desfecho de seu plano de oferta pública de ações, as autoridades da Petrobrás vêm afirmando que a empresa está aprendendo com o desastre na Deepwater Horizon, na medida em que vem participando com 20 técnicos das operações de controle do vazamento.
  A questão transcende os procedimentos de segurança da empresa brasileira. A catástrofe do Golfo do México não aconteceu apenas porque a BP falhou. Aconteceu, também, porque o Estado, que deveria regular, fiscalizar e monitorar falhou, como também falhou na crise financeira, quando deixou os bancos soltos demais.

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